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A praça que virou avenida

Capítulo
2 — Samba: a invenção da música "nacional"
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
1ª série do Ensino Médio; adapta-se ao 9º ano
Disciplina
História
Com
Geografia, Arte
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A demolição da Praça Onze e da Cidade Nova para abrir a Avenida Presidente Vargas, e a canção como registro de uma cidade apagada.

Problema norteadorO que desaparece quando se abre uma avenida, e quem decidiu que aquilo podia desaparecer?

Habilidades

EM13CHS101 Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

EM13CHS204 Comparar e avaliar os processos de ocupação do espaço e a formação de territórios, territorialidades e fronteiras, identificando o papel de diferentes agentes (como grupos sociais e culturais, impérios, Estados Nacionais e organismos internacionais) e considerando os conflitos populacionais (internos e externos), a diversidade étnico-cultural e as características socioeconômicas, políticas e tecnológicas.

EM13CHS205 Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H2 — Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas; H26 — Identificar em fontes diversas o processo de ocupação dos meios físicos e as relações da vida humana com a paisagem.

Para treinar: questão 15 da lista do capítulo 2, questão 6 da lista do capítulo 2.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: O que desaparece quando se abre uma avenida, e quem decidiu que aquilo podia desaparecer?
  • Compreender Cidade Nova, Praça Onze e a chamada Pequena África: moradia, trabalho, religião e carnaval da população negra no centro do Rio.
  • Compreender a abertura da Avenida Presidente Vargas e a demolição de cerca de 500 prédios.
  • Compreender urbanismo modernizador, higienismo e remoção, do início do século ao Estado Novo.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: uma exposição de parede, com curadoria da turma: quatro fontes sobre o mesmo quarteirão — canção, fotografia, pintura e planta — com as fichas escritas pelos alunos, mais uma quinta ficha, obrigatória, sobre o que nenhuma das quatro registra.

Reforma urbana costuma ser ensinada por decreto e planta. Aqui ela chega pela voz de quem perdeu o lugar, gravada no ano em que a picareta chegou.

O par de canções dos mesmos autores — o lamento pela praça e, logo depois, a saudação à avenida — mostra a acomodação acontecendo, e ensina a não tratar artista como herói nem como traidor.

Geografia entra com o instrumento certo: sobrepor planta antiga e mapa atual, medir o que sumiu, dimensionar o gigantismo da obra.

Liga ao presente sem esforço: remoção por obra pública é assunto que o aluno tem perto de casa.

Conteúdos envolvidos

  • Cidade Nova, Praça Onze e a chamada Pequena África: moradia, trabalho, religião e carnaval da população negra no centro do Rio.
  • A abertura da Avenida Presidente Vargas e a demolição de cerca de 500 prédios.
  • Urbanismo modernizador, higienismo e remoção, do início do século ao Estado Novo.
  • Memória e patrimônio: o que se preserva, o que se documenta e o que só sobrevive em canção e em pintura.
  • Leitura de imagem: a cidade representada por quem morava nela.

Desenvolvimento

1
Escuta de Praça Onze, sem contexto · 10 min Escuta

A turma anota se aquilo soa festa, despedida ou protesto — e por que soa assim, sendo um samba.

2
A praça estava caindo · 10 min Escuta

Revela-se que a praça estava sendo demolida enquanto a canção era gravada. Segunda escuta.

3
Geografia assume · 15 min Pesquisa

Sobreposição de planta antiga e mapa de hoje, localização do que existia, largura da avenida, contagem do que caiu.

4
História assume · 10 min Exposição

Por que ali, por que naquele momento, quem morava e trabalhava naquele quarteirão, e o que a cidade queria ser.

5
Arte assume · 10 min Leitura

Leitura das pinturas de Heitor dos Prazeres — a cidade que a tinta guardou e a foto oficial não mostra.

6
A virada · 20 min Debate

Escuta da canção seguinte, dos mesmos autores, agora saudando a avenida. Debate: traição, sobrevivência, encomenda, ou as três coisas?

7
Ponte com o presente · 15 min Pesquisa

Uma obra recente na cidade dos alunos e o que ela removeu.

8
Curadoria da exposição · 25 min Produção artística

Quatro fontes sobre o mesmo quarteirão — canção, fotografia, pintura e planta — com as fichas escritas pelos alunos, mais uma quinta ficha, obrigatória, sobre o que nenhuma das quatro registra.

Materiais

Praça Onze
Herivelto Martins e Grande Otelo · 1942 · 1942

O lamento gravado enquanto a praça era demolida.

Ouvir
Bom dia, avenida
Herivelto Martins e Grande Otelo

Os mesmos autores, agora saudando a avenida — a acomodação acontecendo em disco.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Uma exposição de parede, com curadoria da turma: quatro fontes sobre o mesmo quarteirão — canção, fotografia, pintura e planta — com as fichas escritas pelos alunos, mais uma quinta ficha, obrigatória, sobre o que nenhuma das quatro registra.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.
  • Organização das fontes reunidas e clareza sobre o que cada uma comprova.