A mesma paisagem cantada por quem trabalha nela e por quem é dono dela: da moda de viola ao sertanejo do agronegócio.
Problema norteadorQuando o sertão da canção deixou de ser lugar de trabalho e virou lugar de propriedade?
EM13CHS205 Analisar a produção de diferentes territorialidades em suas dimensões culturais, econômicas, ambientais, políticas e sociais, no Brasil e no mundo contemporâneo, com destaque para as culturas juvenis.
EM13CHS302 Analisar e avaliar os impactos econômicos e socioambientais de cadeias produtivas ligadas à exploração de recursos naturais e às atividades agropecuárias em diferentes ambientes e escalas de análise, considerando o modo de vida das populações locais e o compromisso com a sustentabilidade.
EM13CHS404 Identificar e discutir os múltiplos aspectos do trabalho em diferentes circunstâncias e contextos históricos e/ou geográficos e seus efeitos sobre as gerações, em especial, os jovens e as gerações futuras, levando em consideração, na atualidade, as transformações técnicas, tecnológicas e informacionais.
No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H18 — Analisar diferentes processos de produção ou circulação de riquezas e suas implicações sócio-espaciais; H27 — Analisar de maneira crítica as interações da sociedade com o meio físico, levando em consideração aspectos históricos e(ou) geográficos.
Para treinar: questão 2 da lista do capítulo 3, questão 6 da lista do capítulo 3.
Duas gravações separadas por quase oitenta anos, o mesmo cenário, e a posição social do narrador invertida. A comparação é audível, e a conclusão é histórica.
É assunto vivo e disputado, o que é uma vantagem: o aluno chega com opinião e sem argumento, e a aula serve para inverter essa ordem.
Geografia entra com o que só ela dá — fronteira agrícola, mecanização, monocultura, estrutura fundiária —, e é o mapa que explica de onde vem o dinheiro que patrocina o show.
E fecha a lógica que atravessa o capítulo inteiro: a música do sertão sempre foi feita na cidade e vendida pela indústria. O que muda, de época para época, é quem paga.
Conteúdos envolvidos
Sem comentário. Ficha de duas colunas: quem fala, o que possui, do que vive, com quem se compara — e o que cada gravação parece querer que o ouvinte sinta.
Mesmo cenário, posição social invertida. A turma formula a hipótese antes de qualquer explicação do professor.
O que aconteceu com esse campo entre uma gravação e outra: máquina, fronteira, monocultura, tamanho das propriedades.
Modernização conservadora, quem ganhou, quem saiu, e por que o trabalhador sumiu da paisagem cantada mais ou menos quando sumiu da paisagem real.
Leitura do material sobre patrocínio e produtoras. A canção como peça de comunicação de um setor econômico.
Leitura de um argumento favorável ao setor, que a turma tem de reconstruir com honestidade antes de ter direito a discordar.
Sobre a pergunta norteadora, com evidência de todas as etapas anteriores.
Escrita em dupla, cruzando canção e dados.
O narrador é quem trabalha na boiada, não quem é dono dela.
OuvirMesmo cenário, setenta anos depois, com o narrador do outro lado da porteira.
OuvirA etapa intermediária, quando o gênero vira produto de massa.
OuvirEstudo de caso em dupla: escolher uma canção sertaneja recente, descrever o que ela mostra do campo e o que a gravação quer produzir em quem ouve, cruzar com dois dados do IBGE sobre a mesma região, e escrever meia página sobre o que a canção mostra, o que omite e a quem a omissão serve.
Critérios