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A passeata contra a guitarra

Capítulo
6 — As aventuras da Jovem Guarda
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
3ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Sociologia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

Julho de 1967: músicos saem às ruas contra a guitarra elétrica enquanto uma entidade profissional cassa os registros dos músicos de iê-iê-iê.

Problema norteadorO que faz uma música ser brasileira?

Habilidades

EM13CHS101 Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

EM13CHS104 Analisar objetos da cultura material e imaterial como suporte de conhecimentos, valores, crenças e práticas que singularizam diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H4 — Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura; H15 — Avaliar criticamente conflitos culturais, sociais, políticos, econômicos ou ambientais ao longo da história.

Para treinar: questão 15 da lista do capítulo 6, questão 16 da lista do capítulo 6.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: O que faz uma música ser brasileira?
  • Compreender nacionalismo cultural e a ideia de autenticidade nacional.
  • Compreender a passeata de 17 de julho de 1967 e quem estava nela.
  • Compreender a cassação dos registros profissionais e o exame de teoria musical como filtro.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: um texto dissertativo de trinta linhas respondendo à pergunta norteadora, obrigatoriamente com um argumento a favor da passeata escrito com justiça antes de ser refutado.

O episódio é constrangedor para os dois lados e por isso ensina: artistas de esquerda marchando contra um instrumento, e uma entidade de classe usando exame teórico para excluir quem tocava de ouvido.

Ataca de frente o essencialismo cultural, que o aluno carrega sem perceber. Nenhum instrumento é de país nenhum; o violão veio de fora, a sanfona veio de fora, e o samba se fez com influência estrangeira desde sempre.

É um caso de proteção de mercado disfarçada de defesa da cultura — e distinguir uma coisa da outra é o exercício.

E não é história morta: a mesma discussão volta toda vez que um gênero novo é acusado de não ser música de verdade.

Conteúdos envolvidos

  • Nacionalismo cultural e a ideia de autenticidade nacional.
  • A passeata de 17 de julho de 1967 e quem estava nela.
  • A cassação dos registros profissionais e o exame de teoria musical como filtro.
  • Formação musical, classe e acesso à profissão.
  • A ditadura como pano de fundo: o que era disputa entre artistas e o que era disputa com o regime.
  • O que aconteceu logo depois, quando parte dos que marchavam adotou o mesmo instrumento.

Desenvolvimento

1
Qual soa mais brasileira? · 10 min Escuta

Escuta de duas gravações brasileiras do mesmo período, uma com guitarra elétrica e outra sem. A turma vota e o professor anota o resultado.

2
O episódio · 10 min Exposição

Em julho de 1967 músicos brasileiros marcharam contra a guitarra elétrica. Quem eram, e o que diziam defender.

3
O segundo fato, no mesmo mês · 10 min Leitura

Os músicos de iê-iê-iê tiveram os registros cassados e passaram a depender de aprovação em exame de teoria musical.

4
Separar os argumentos · 20 min Debate

Defesa da cultura e defesa de mercado. Onde um vira o outro?

5
De onde vieram os instrumentos · 15 min Pesquisa

Violão, sanfona, cavaquinho, pandeiro. A votação da primeira etapa é retomada.

6
O epílogo · 10 min Exposição

O que fizeram, pouco depois, alguns dos que marcharam.

7
Debate final · 20 min Debate

A pergunta norteadora, com tudo na mesa.

Materiais

Vem Quente que Eu Estou Fervendo
Erasmo Carlos · O Tremendão · 1967 · Faixa 8 do LP O Tremendão, lançado em 4 de setembro de 1967, sete semanas depois da passeata

A guitarra elétrica no centro do arranjo, gravada no mesmo ano e na mesma cidade da passeata que pedia o contrário.

Ouvir
Ponteio
Edu Lobo e Marília Medalha · 1967 · Canção vencedora do III Festival de Música Popular Brasileira da TV Record, 1967

Do mesmo ano, e de um dos músicos que marcharam na passeata — Edu Lobo estava lá, com Elis Regina, Jair Rodrigues, Zé Kéti, Vandré, o MPB-4 e Gilberto Gil.

Ouvir
  • Registro fotográfico e reportagens da passeata de 17 de julho de 1967
  • Documentos sobre a exigência de exame para o registro profissional
  • Memórias da Ditadura

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Um texto dissertativo de trinta linhas respondendo à pergunta norteadora, obrigatoriamente com um argumento a favor da passeata escrito com justiça antes de ser refutado.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.