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A carta e o funk

Capítulo
11 — Funk carioca: do mundo pros morros, dos morros pro mundo
Nível
Ensino Fundamental
Ano sugerido
7º ano; adapta-se ao 9º ano
Disciplina
História
Com
Língua Portuguesa
Tempo sugerido
3 aulas de 50 minutos
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Tema geral

Dois documentos sobre o mesmo acontecimento, separados por 516 anos, e a pergunta de para quem cada um foi escrito.

Problema norteadorTodo texto é escrito para alguém. Para quem foi escrita a história que a escola ensina?

Habilidades

EF07HI09 Analisar os diferentes impactos da conquista europeia da América para as populações ameríndias e identificar as formas de resistência.

EF07HI10 Analisar, com base em documentos históricos, diferentes interpretações sobre as dinâmicas das sociedades americanas no período colonial.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H1 — Interpretar historicamente e/ou geograficamente fontes documentais acerca de aspectos da cultura; H4 — Comparar pontos de vista expressos em diferentes fontes sobre determinado aspecto da cultura.

Para treinar: questão 6 da lista do capítulo 11, questão 16 da lista do capítulo 11.

Objetivos

  • Identificar e comparar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Todo texto é escrito para alguém. Para quem foi escrita a história que a escola ensina?
  • Compreender a chegada portuguesa em 1500 e a carta de Pero Vaz de Caminha: autor, destinatário, finalidade.
  • Compreender descobrimento, achamento, invasão, conquista: a disputa pelas palavras.
  • Compreender povos originários antes de 1500: diversidade, territórios e línguas.
  • Reconhecer o percurso da aula no produto final: o parágrafo reescrito três vezes: como Caminha o escreveria, como a canção o escreveria e como a turma o escreveria depois da aula — cada versão acompanhada de uma linha dizendo para quem foi escrita e em que fonte se apoia.

A canção é endereçada à professora de História. Isso coloca a turma dentro do documento, e não diante dele: a aula não fala sobre uma polêmica, ela é a polêmica.

Do outro lado está a carta de 1500, que os alunos costumam receber como se fosse a realidade. Ela é um relatório de um funcionário ao rei que financiou a viagem — tem autor, destinatário e interesse, exatamente como o funk.

Descobrimento, achamento, invasão e conquista não são sinônimos: cada palavra é uma tese. Ver quatro palavras disputando o mesmo fato é a porta mais concreta para a ideia de que história se escreve.

E há o problema das fontes, que precisa ser dito sem romantismo: os povos que aqui estavam não deixaram registro escrito de 1500. Isso não os apaga — obriga a usar arqueologia, tradição oral e a leitura a contrapelo dos documentos coloniais.

Conteúdos envolvidos

  • A chegada portuguesa em 1500 e a carta de Pero Vaz de Caminha: autor, destinatário, finalidade.
  • Descobrimento, achamento, invasão, conquista: a disputa pelas palavras.
  • Povos originários antes de 1500: diversidade, territórios e línguas.
  • Fontes históricas: documento escrito, arqueologia, tradição oral, cultura material.
  • Escrita da história: quem escreve, para quem, com que interesse.
  • Revisão histórica feita fora da universidade: quem tem autoridade para corrigir o livro didático.

Desenvolvimento

1
Escuta inteira, sem contexto · 10 min Escuta

Duas perguntas: o que essa gravação está fazendo — dançando, acusando, ensinando? E com quem ela está falando?

2
A turma descobre o destinatário · 20 min Debate

A canção fala com a professora, e portanto com a própria turma. O que se sente quando a música se dirige à sua sala?

3
A carta de 1500, em voz alta · 10 min Leitura

Leitura de um trecho curto. Mesmas duas perguntas: o que este texto está fazendo, e com quem está falando?

4
As duas fichas lado a lado · 20 min Produção escrita

Quem escreveu, para quem, com que objetivo, e o que cada um ganhava em ser acreditado.

5
O livro didático da turma · 10 min Leitura

Leitura do próprio parágrafo sobre 1500, e a terceira ficha, com as mesmas perguntas. O livro também tem autor e destinatário.

6
Quatro palavras na lousa · 20 min Debate

Descobrimento, achamento, invasão, conquista. A turma escolhe uma para o parágrafo e justifica.

7
O problema das fontes · 10 min Exposição

Se não há texto escrito por quem já estava aqui, como se sabe alguma coisa? Arqueologia, cultura material e tradição oral como fontes.

8
Segunda escuta · 10 min Escuta

A canção outra vez, agora sabendo tudo. Mudou o que se ouve?

9
O parágrafo reescrito três vezes · 20 min Produção escrita

Produção final, individual ou em dupla.

Materiais

Não Foi Cabral
MC Carol · Bandida · 2016 · Do disco Bandida, 2016, produção de Leo Justi

A canção se dirige à professora de História e anuncia que na escola as coisas vão mudar: o destinatário do funk é a própria aula.

Ouvir
  • Um trecho curto da carta de Pero Vaz de Caminha, para leitura em voz alta
  • O parágrafo sobre 1500 do livro didático que a turma usa
  • Mapa dos povos indígenas em 1500 e dados atuais de população e línguas
  • Peças de arqueologia e registros de tradição oral de povos originários

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

O parágrafo reescrito três vezes: como Caminha o escreveria, como a canção o escreveria e como a turma o escreveria depois da aula — cada versão acompanhada de uma linha dizendo para quem foi escrita e em que fonte se apoia.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.
  • Justificativa histórica das escolhas de letra, ritmo e instrumentação na versão criada.