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Uma lei diz sim, um comandante diz não

Capítulo
11 — Funk carioca: do mundo pros morros, dos morros pro mundo
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
3ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Sociologia
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A política de pacificação do Rio de Janeiro a partir de 2008, a lei que reconheceu o funk como movimento cultural em 2009, e os bailes que continuaram não acontecendo.

Problema norteadorPor que uma lei que garante um direito pode não valer justamente no lugar onde esse direito seria exercido?

Habilidades

EM13CHS503 Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas causas, significados e usos políticos, sociais e culturais, avaliando e propondo mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos.

EM13CHS603 Compreender e aplicar conceitos políticos básicos (Estado, poder, formas, sistemas e regimes de governo, soberania etc.) na análise da formação de diferentes países, povos e nações e de suas experiências políticas.

EM13CHS605 Analisar os princípios da declaração dos Direitos Humanos, recorrendo às noções de justiça, igualdade e fraternidade, para fundamentar a crítica à desigualdade entre indivíduos, grupos e sociedades e propor ações concretas diante da desigualdade e das violações desses direitos em diferentes espaços de vivência dos jovens.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H12 — Analisar o papel da justiça como instituição na organização das sociedades; H22 — Analisar as lutas sociais e conquistas obtidas no que se refere às mudanças nas legislações ou nas políticas públicas.

Para treinar: questão 16 da lista do capítulo 11, questão 7 da lista do capítulo 11.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Por que uma lei que garante um direito pode não valer justamente no lugar onde esse direito seria exercido?
  • Compreender segurança pública no Rio de Janeiro: a política de pacificação, seu desenho, sua expansão e seu esvaziamento.
  • Compreender a lei de 2008 sobre bailes e as exigências que os tornaram inviáveis; sua revogação em 2009.
  • Compreender a Lei estadual 5.543, de 22 de setembro de 2009, e o que ela garante no papel.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: um relatório de efetividade, em duas páginas, sobre um direito garantido em lei e não exercido no bairro dos alunos — de transporte a saneamento, escolhido por eles —, com o texto legal citado, a evidência do que acontece na prática, a identificação de quem aplica a norma e uma conclusão que responda à pergunta norteadora.

A cronologia é quase inacreditável e está toda documentada. Em 2008 uma lei estadual regulamenta os bailes com exigências que na prática os inviabilizam. Em dezembro do mesmo ano é instalada a primeira unidade de polícia pacificadora, no Santa Marta. Em setembro de 2009 aquela lei é revogada e outra, a 5.543, define o funk como movimento cultural e musical de caráter popular e proíbe expressamente regra discriminatória contra ele. E os bailes continuaram dependendo, comunidade por comunidade, da autorização do comandante local.

Isso ensina a distinção que mais falta ao aluno: entre o que a lei diz e o que a política pública faz. Direito escrito não é direito exercido, e a diferença entre os dois tem nome, endereço e responsável.

Introduz o conceito de poder discricionário sem abstração: uma autoridade local decidindo caso a caso sobre um direito que a lei já garantiu.

E dá o Rio como objeto histórico, não como cenário: uma cidade que se reorganizou para receber uma Copa em 2014 e uma Olimpíada em 2016, e o que essa reorganização fez com quem morava nos lugares que precisavam aparecer bem.

Conteúdos envolvidos

  • Segurança pública no Rio de Janeiro: a política de pacificação, seu desenho, sua expansão e seu esvaziamento.
  • A lei de 2008 sobre bailes e as exigências que os tornaram inviáveis; sua revogação em 2009.
  • A Lei estadual 5.543, de 22 de setembro de 2009, e o que ela garante no papel.
  • Poder discricionário e aplicação seletiva da norma.
  • Megaeventos esportivos, obras urbanas e remoções entre 2009 e 2016.
  • Lei, política pública e efetividade: como se mede se um direito existe de fato.

Desenvolvimento

1
O que essa pessoa está pedindo? · 10 min Escuta

Escuta do Rap da felicidade, de 1995, sem contexto. Uma pergunta só.

2
A resposta na lousa · 20 min Debate

Com as palavras da turma. Não é dinheiro, não é fama: é circular em paz no próprio bairro.

3
O artigo da lei de 2009 · 10 min Leitura

Leitura. A turma compara o pedido de 1995 com o texto legal de 2009 e conclui que a lei atendeu.

4
A cronologia em ordem · 10 min Exposição

A lei de 2008 e suas exigências, a primeira unidade instalada em dezembro de 2008, a revogação e a nova lei em setembro de 2009.

5
O dado que quebra a expectativa · 20 min Debate

Mesmo depois da lei, cada baile passou a depender da autorização do comandante local. A turma tenta explicar como isso é possível.

6
O conceito · 10 min Exposição

Poder discricionário, e a diferença entre norma e prática administrativa.

7
Os megaeventos · 10 min Leitura

O que a cidade estava se preparando para mostrar, e para quem.

8
A gravação do período da ocupação · 10 min Escuta

Escuta, agora com tudo na mesa.

Materiais

Rap da felicidade
Cidinho e Doca · 1995

O pedido de andar tranquilamente na favela onde se nasceu, oito anos antes da lei que o garantiria no papel.

Ouvir
Passinho do Volante
Os Leleks · 2009-2016

O baile que não pôde acontecer depois de a lei dizer que podia.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Um relatório de efetividade, em duas páginas, sobre um direito garantido em lei e não exercido no bairro dos alunos — de transporte a saneamento, escolhido por eles —, com o texto legal citado, a evidência do que acontece na prática, a identificação de quem aplica a norma e uma conclusão que responda à pergunta norteadora.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.