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Música de protesto: a politização da música brasileira

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Resumo do capítulo

Em tempos de intensa polarização política, muitos artistas transformaram a música em espaço de reflexão, denúncia e mobilização social. Este capítulo apresenta o surgimento da canção de protesto, suas relações com a Bossa Nova, os movimentos estudantis e a ditadura civil-militar, mostrando como diferentes compositores interpretaram os conflitos de sua época. Mais do que trilha sonora, a música tornou-se instrumento de debate sobre o futuro do Brasil.

Trecho do livro

Paralelamente ao apogeu da canção de protesto no Brasil é que se dá a introdução da televisão comercial no país, com a instalação de setenta e nove emissoras durante as décadas de 50 e 60. O grande número de estações é explicado pelas dificuldades técnicas da época: uma antena era responsável por gerar a transmissão num raio de apenas 100 km, motivo pelo qual havia a predileção por emissoras locais, tais como a TV Tupi, Excelsior e Record, de São Paulo, e a TV Rio e TV Globo, do Rio de Janeiro. Se no início ainda contavam com uma linguagem artesanal e com profissionais oriundos do universo do rádio, ao longo dos anos 60 vão se desenvolvendo de maneira profissional e organizada.

Nesse período também cresce o número de aparelhos vendidos e os investimentos publicitários em TV ganham força. Só para se ter uma ideia, “em 1962, 24,7% do total de recursos gastos em publicidade ia para as emissoras de televisão, que superou o rádio e os jornais[...]. Em 1963, a televisão superou também as revistas, mantendo um padrão crescente nos anos seguintes” (ROCHA, 2007, p. 135). Os gráficos abaixo mostras a evolução do número de televisores em uso no Brasil (em milhares):

Devido ao grande sucesso da nova mídia, algumas das principais emissoras da época, tanto do Rio de Janeiro, quanto de São Paulo, passaram a investir em programações musicais, tendo em vista outro grande fenômeno do período: a bossa nova. Inicialmente, os programas eram de auditório, nos quais os convidados apresentavam-se e mostravam suas músicas. Entre eles, um dos mais importantes foi “O Fino da Bossa” (1965-67), que ia ao ar no horário nobre (entre as 20 e 22 horas), nas quartas-feiras, na TV Record de São Paulo. O programa era apresentado pelos cantores Elis Regina e Jair Rodrigues, quase sempre acompanhados pelo Zimbo Trio. Eles cantavam, recebiam músicos e compositores, dançavam e, deste modo, iam aos poucos criando uma linguagem visual para a música brasileira. O sucesso do programa era tanto que, durante os anos de 1965 e 1966, foi líder, com cerca de 25% da audiência televisiva.

Playlist do capítulo

  • 01ZelãoSérgio Ricardo
  • 02Quem quiser encontrar amorCarlos Lyra
  • 03Influência do JazzCarlos Lyra
  • 04DisparadaJair Rodrigues
  • 05Pra não dizer que não falei das flores (Caminhando)Geraldo Vandré
  • 06PonteioEdu Lobo
  • 07ArrastãoElis Regina
  • 08Upa, neguinhoElis Regina
  • 09A bandaChico Buarque
  • 10SabiáChico Buarque
  • 11CarolinaChico Buarque

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Obs.: Sempre que possível, indicamos a primeira gravação ou aquela citada no livro. Quando ela não está disponível no Spotify, optamos pela versão mais próxima do original, sinalizada na lista com o nome do intérprete.

Playlist completa do livro

Disco Essencial

Opinião de Nara

Nara Leão · 1964

Marco da transição entre a Bossa Nova e a música de protesto, o álbum aproxima a sofisticação estética da geração bossanovista das temáticas sociais e políticas que marcariam a MPB dos anos seguintes. Reunindo composições de Zé Kéti, João do Valle e outros artistas ligados ao espetáculo Opinião, sintetiza a emergência da canção engajada discutida neste capítulo.

A obra analisada

Uma pergunta estampada em uma nota de dinheiro foi suficiente para desafiar a ditadura militar. Conheça uma das intervenções artísticas mais criativas e ousadas da história brasileira.

Cildo Meireles – Inserções em Circuitos Ideológicos – Projeto Cédula, 1975
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A leitura completa desta obra está no capítulo 5 do livro. Conheça o livro →

Inserções em Circuitos Ideológicos – Projeto Cédula

Cildo Meireles, 1975

Carimbo sobre cédula em uso corrente

Coleção Instituto Vladimir Herzog

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Recursos do capítulo

Filme

Uma Noite em 67 (2010), de Renato Terra e Ricardo Calil

Filme

Elis & Tom: Só Tinha de Ser com Você (2023), de Roberto de Oliveira e Jom Tob Azulay

Entrevista

Programa Vox Populi: Chico Buarque

Entrevista

Programa Canal Livre: Geraldo Vandré

Podcast

Podcast Rádio Guilhotina: episódio “Tenório Jr.

Internet

Memórias da Ditadura: A Era dos Festivais

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Videoaulas

10:01

CPC: arte e política na Ditadura Militar

10:11

“Disparada”, de Geraldo Vandré: sertão como espaço da revolução

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Sala de Aula

16 questões de vestibulares e do ENEM sobre este capítulo, para responder e corrigir na hora.

Exercícios deste capítulo