Leia o trecho da música “Disparada” (Geraldo Vandré e Théo de Barros, 1966).
"Prepare o seu coração
Pras coisas que eu vou contar
Eu venho lá do sertão
[...]
Aprendi a dizer não
Ver a morte sem chorar
E a morte, o destino, tudo
Estava fora do lugar
Eu vivo pra consertar"
VANDRÉ, Geraldo; BARROS, Théo de. Disparada. Intérprete: Jair Rodrigues. São Paulo: Philips, 1966.
Considerando a canção como fonte histórica e seus desdobramentos na cultura de resistência durante a Ditadura Civil-Militar no Brasil (1964–1985), assinale a alternativa CORRETA.
Leia o excerto a seguir.
“[...] Pai, afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice, pai
Afasta de mim esse cálice
De vinho tinto de sangue
Como beber dessa bebida amarga
Tragar a dor, engolir a labuta
Mesmo calada a boca, resta o peito
Silêncio na cidade não se escuta. [...]”
Cálice. Francisco Buarque de Holanda e Gilberto Passos Gil Moreira
Fazendo referência específica a uma passagem bíblica, os autores da música Cálice, Chico Buarque e Gilberto Gil, usam uma metáfora para
Tô voltando
Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar que é lá mesmo que a mala [eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando
(www.vagalume.com.br)
Em 1979, Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro compuseram a música “Tô voltando”. Apesar de afirmarem que ela refletia o entusiasmo do retorno para a casa após longas viagens profissionais, rapidamente a música tornou-se um hino político relacionado
Em 1976, o compositor e cantor Belchior lançou a música Apenas um rapaz latino americano, que traz a seguinte estrofe: “Mas não se preocupe meu amigo / Com os horrores que eu lhe digo / Isto é somente uma canção / A vida realmente é diferente / Quer dizer, ao vivo é muito pior”.
No mesmo ano, Chico Buarque gravou a música Meu caro amigo, que apresenta em seu refrão: “Aqui na terra 'tão jogando futebol / Tem muito samba, muito choro e rock'n'roll / Uns dias chove, noutros dias bate sol / Mas o que eu quero é lhe dizer que a coisa aqui tá preta”.
Os dois compositores são conhecidos por fazerem, em suas obras, uma crônica social. Nessas estrofes, os autores fazem referência à
Vai passar/ Nessa avenida um samba popular/ Cada paralelepípedo/ Da velha cidade/ Essa noite vai/ Se arrepiar/ Ao lembrar/ Que aqui passaram sambas imortais/ Que aqui sangraram pelos nossos pés/ Que aqui sambaram nossos ancestrais/ Num tempo/ Página infeliz da nossa história/ Passagem desbotada na memória/ Das nossas novas gerações/ Dormia/ A nossa pátria mãe tão distraída/ Sem perceber que era subtraída/ Em tenebrosas transações
“Vai passar”, Chico Buarque e Francis Hime
Com base nessa música gravada por Chico Buarque, em 1984, ano que marcou o auge da campanha pelas Diretas Já, é INCORRETO afirmar que a canção:
Lembrando e pensando a TV
Houve um tempo em que a TV − acreditem, ó jovens! − ainda não existia. Ouvia-se rádio, ia-se ao cinema. Mas um dia chegou às casas das pessoas1um aparelho com o som vivo do rádio acoplado a vivas imagens, diferentes das do cinema, imagens chegadas de algum lugar do presente, “ao vivo”. Logo saberíamos que todas as imagens do mundo, inclusive os filmes do cinema, poderiam estar ao nosso alcance, naquela telinha da sala. Modificaram-se os hábitos das famílias, seus horários, sua disponibilidade, seus valores. A TV chegou para reinar.
A variedade da programação já indicava o amplo alcance do novo veículo: notícias, reportagens, musicais, desenhos animados, filmes, propagandas, seriados, esportes, programas humorísticos, peças de teatro − tudo desfilava ali, diante dos nossos olhos, ainda no tubo comandado por grandes válvulas e com imagem em preto e branco. Boa parte dos primeiros aparelhos de TV tinham telas de 16 a 21 polegadas, acondicionadas numa enorme e pesada caixa de madeira. Havia uns três ou quatro canais, com alcance bastante limitado e programação restrita a cinco ou seis horas por dia. Mais tarde as transmissões passariam a ser via satélite e ocupariam as 24 horas do dia.
2Os custos da programação eram pagos pela publicidade, que tomava boa parte do tempo de transmissão.3Vendia-se de tudo, de automóveis a margarina, de xaropes para tosse a apartamentos.4Filmetes gravados e propagandas ao vivo sucediam-se e misturavam-se a notícias sobre exploração espacial, enquanto documentários estrangeiros falavam da revolução russa, da II Guerra, do nazismo e do fascismo, das convicções pacifistas de Ghandi, das ideias do físico Einstein sobre a criação e a legitimação da ONU5etc. etc. Já as incursões históricas propiciadas pelos filmes nos levavam ao tempo de Moisés e do Egito Antigo, ao Império Romano e advento do Cristianismo, tudo entremeando-se ao humor de Chaplin, às caretas de Jerry Lewis e às trapalhadas das primeiras comédias nacionais do gênero chanchada. Houve também o tempo em que as famílias se agrupariam diante dos festivais da canção, torcendo por músicas de protesto, baladas românticas ou de6ritmos populares “de raiz”. Enfim, a TV oferecia a um público extasiado um espetáculo variadíssimo, tudo nas poucas polegadas do aparelho, que7não tardou a incorporar outras medidas, outros sistemas de funcionamento, projeção em cores e controle remoto.
As telas de plasma, o processo digital e a interface com a informática foram dotando a TV de muitos outros recursos, até que, bem mais tarde, tivesse que enfrentar a concorrência de outras telas, muito menores, portáteis, disponíveis nos celulares, carregados de aplicativos e serviços.8Apesar disso, nada indica que a curto prazo desapareçam da casa os aparelhos de TV, enriquecidos agora por incontáveis dispositivos.
No plano da cultura e da educação,9a televisão teve e tem papel importante. Os telecursos propiciam informação escolar específica nas áreas de Matemática, Física, História, Química, Língua e Literatura, fazendo as vezes da educação formal por meio de incontáveis dispositivos pedagógicos, inclusive a dramatização de conteúdos. Aqui e ali há entrevistas com artistas, políticos, pensadores e personalidades várias, atualizando ideias e promovendo seu debate. No campo da política, é relevante, às vezes decisivo, o papel que a TV tem na formação da opinião pública. A ecologia conta, também, com razoável cobertura, informando, por exemplo, sobre os benefícios da reciclagem de lixo, da cultura de produtos orgânicos e da energia solar.
Seja como forma de entretenimento, veículo de informação, indução aos debates e repercussão atualizada dos grandes temas de interesse social, a TV vem garantindo seu espaço junto a bilhões de pessoas no mundo todo. Por meio dela, acompanhamos ao vivo momentos agudos da política internacional, a divulgação de um novo plano econômico do governo, a escalada da violência urbana. Ao toque de uma tecla do controle remoto, você pode se transferir, aleatoriamente, do palco de um ataque terrorista para o final meloso de uma comédia romântica.
Numa espécie de espelhamento multiplicativo e fragmentário da nossa vida e dos poderes da nossa imaginação, a TV vem acompanhando os passos da vida moderna e ditando, mesmo, alguns deles,10sem dar sinal de que deixará tão cedo de nos fazer companhia.
Percival de Lima e Souto, inédito.
O texto de Percival de Lima Souto refere-se aos festivais da canção e das “músicas de protesto”. Considerando o contexto histórico dos anos 1960 e 1970, é correto afirmar que
Viva Vaia é um poema concreto publicado em 1972 e dedicado ao compositor Caetano Veloso, que havia sido vaiado por grande parte do público presente ao Teatro Tuca, no Festival Internacional da Canção de 1968. Desde então, em diversos momentos, o poema é utilizado com intuito de dar significação a episódios da cena política e cultural brasileira.
Sobre o contexto de sua elaboração, podemos afirmar que se trata
“(...) Há soldados armados, amados ou não/ Quase todos perdidos de armas na mão/ Nos quartéis lhe ensinam uma antiga lição/ De morrer pela pátria e viver sem razão (...).”
(Fonte: VANDRÉ, Geraldo. Pra não dizer que não falei das flores. Geraldo Vandré no Chile, 1968. Disponível em: https://www.letras.mus.br/geraldo-vandre/46168/. Acesso em: 04/09/2016.).
O trecho da canção acima representa críticas do autor em relação ao momento histórico do Brasil, caracterizado:
Leia os trechos das canções “Apesar de você”, de Chico Buarque, e “Aquele abraço”, de Gilberto Gil.
Hoje você é quem manda
Falou, tá falado
Não tem discussão
A minha gente hoje anda
Falando de lado
E olhando pro chão, viu
Você que inventou esse estado
E inventou de inventar
Toda a escuridão
Você que inventou o pecado
Esqueceu-se de inventar
O perdão
Apesar de você
Amanhã há de ser
Outro dia
(www.chicobuarque.com.br)
Meu caminho pelo mundo eu mesmo traço
A Bahia já me deu régua e compasso
Quem sabe de mim sou eu – aquele abraço!
Pra você que me esqueceu – aquele abraço!
Alô, Rio de Janeiro – aquele abraço!
Todo o povo brasileiro – aquele abraço!
(www.gilbertogil.com.br)
Escritas durante o regime militar, essas letras de músicas remetem,
Leia com atenção os textos abaixo, a respeito do Festival Internacional da Canção ocorrido no Rio de Janeiro em 1968, e depois escolha a alternativa correta.
Vou voltar/Sei que ainda vou voltar para o meu lugar/ Foi lá e é ainda lá/Que eu hei de ouvir cantar/ Uma sabiá
Sabiá. Chico Buarque de Hollanda e Tom Jobim
Vem vamos embora que esperar não é saber/ Quem sabe faz a hora não espera acontecer
Pra não dizer que não falei das flores. Geraldo Vandré
As 20 mil pessoas que estavam no Maracanãzinho [em 1968] transformaram-se em coral dessa variante melódica do conceito marighelista de que ‘a vanguarda faz a ação’. ‘Sabiá’ derrotou ‘Caminhando’, mas Tom Jobim mal conseguiu tocá-la. A arquibancada vaiou-o por 23 minutos. Talvez tenha sido a mais longa das vaias ouvidas nos auditórios do país. Não era a Tom que se apupava, muito menos ao júri, que deixara ‘Caminhando’ em segundo lugar. A vaia era contra a ditadura, e aquela seria a última manifestação vocalista das multidões brasileiras. Passariam uma década em silêncio, gritando pouco mais que ‘gol’. Poucas semanas depois, o governo proibiu a execução de ‘Caminhando’ nas rádios e em locais públicos. Temia que se tornasse ‘o ponto de partida para a aceleração e ampliação de um processo de dominação das massas’.
Gaspari, Elio, A ditadura envergonhada. São Paulo, Companhia das Letras, 2002, p. 322.
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Para o meu lugar
Foi lá e é ainda lá
Que eu hei de ouvir cantar
Uma sabiá
Cantar uma sabiá
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Vou deitar à sombra
De uma palmeira
Que já não há
Colher a flor
Que já não dá
E algum amor
Talvez possa espantar
As noites que eu não queria
E anunciar o dia
Vou voltar
Sei que ainda vou voltar
Não vai ser em vão
Que fiz tantos planos
De me enganar
Como fiz enganos
De me encontrar
Como fiz estradas
De me perder
Fiz de tudo e nada
De te esquecer
(www.chicobuarque.com.br)
A canção “Sabiá”, de Chico Buarque e Tom Jobim, foi apresentada no III Festival Internacional da canção, em setembro de 1968, durante o regime militar brasileiro. Sua letra
Considerando-se o contexto histórico-social em que a canção foi composta, o verso “Vou pra rua e bebo a tempestade” (3ª estrofe) sugere a ideia de manifestações populares que ocorreram no Brasil por ocasião
Um desses momentos, na América Latina,em que artistas e intelectuais articularam suas criações a utopias e bandeiras políticas ocorreu
Leia a canção a seguir.
Pra Frente Brasil
(Miguel Gustavo)
Noventa milhões em ação
Pra frente Brasil
Do meu coração
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil
Salve a Seleção
De repente é aquela corrente pra frente
Parece que todo o Brasil deu a mão
Todos ligados na mesma emoção
Tudo é um só coração!
Todos juntos vamos
Pra frente Brasil, Brasil
Salve a Seleção.
Essa marcha embalou a Seleção na Copa de 1970. É correto afirmar-se que esse período da História do Brasil tem relação com
Leia o trecho da canção Comportamento Geral, gravada pelo cantor e compositor Gonzaguinha, em 1973.
Você deve aprender a baixar a cabeça
E dizer sempre: “Muito obrigado”
São palavras que ainda te deixam dizer
Por ser homem bem disciplinado
Deve pois só fazer pelo bem da Nação
Tudo aquilo que for ordenado
Pra ganhar um Fuscão no juízo final
E diploma de bem comportado
(http://tinyurl.com/otzgjlr Acesso em: 01.07.2014. Adaptado)
Analisando o conteúdo da letra, é correto relacionar a canção de Gonzaguinha ao período
Analise a letra da canção “Pesadelo”, composta por Maurício Tapajós e Paulo César Pinheiro, que integrou o disco “Cicatrizes”, do grupo MPB4:
“Quando um muro separa uma ponte une
Se a vingança encara o remorso pune
Você vem me agarra, alguém vem me solta
Você vai na marra, ela um dia volta
E se a força é tua ela um dia é nossa
Olha o muro, olha a ponte, olha o dia de ontem chegando
Que medo você tem de nós, olha aí
Você corta um verso, eu escrevo outro
Você me prende vivo, eu escapo morto
De repente olha eu de novo
Perturbando a paz, exigindo o troco
Vamos por aí eu e meu cachorro
Olha um verso, olha o outro
Olha o velho, olha o moço chegando
Que medo você tem de nós, olha aí!”
Considerando que a canção foi composta em 1972, durante a ditadura militar,
a) identifique qual é o protagonista chamado de “você” na letra da canção.
b) cite duas reivindicações apresentadas na letra da canção.
c) justifique os títulos dados ao disco e à canção.