O rap constitui-se em uma expressão artística por meio da qual os MCs relatam poeticamente a condição social em que vivem e retratam suas experiências cotidianas.
SOUZA, J.; FIALHO, V. M.; ARALDI, J. Hip hop: da rua para a escola. Porto Alegre: Sulina, 2008.
O “relato poético” é uma característica fundamental desse gênero musical, em que o
O mais antigo grupo de rap indígena do país, Brô MCs, surgiu em 2009, na aldeia Jaguapiru, em Dourados, Mato Grosso do Sul. Os integrantes conheceram o rap pelo rádio, ouvindo um programa que apresentava cantores e grupos brasileiros desse gênero musical. O Brô MCs conseguiu influenciar outros a fazerem rap e a lutarem pelas causas indígenas. Um dos nomes do movimento, Kunumí MC, é um jovem de 16 anos, da aldeia Krukutu, em São Paulo. O adolescente enxerga o rap como uma cultura da defesa e começou a fazer rimas quando percebeu que a poesia, pela qual sempre se interessou, podia virar música. Nas letras que cria, inspiradas tanto pelo rap quanto pelos ritmos indígenas, tenta incluir sempre assuntos aos quais acha importante dar voz, principalmente, a questão da demarcação de terras.
Disponível em: www.correiobraziliense.com.br. Acesso em: 13 nov. 2021 (adaptado).
O movimento rap dos povos originários do Brasil revela o(a)
GÊNESIS (INTRO)
Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor
O homem me deu a favela, o crack, a trairagem
As arma, as bebida, as puta
Eu?
Eu tenho uma Bíblia velha, uma pistola automática
Um sentimento de revolta
Eu tô tentando sobreviver no inferno
(Racionais Mc’s, Sobrevivendo no inferno. São Paulo: Companhia das Letras, 2018, p. 45.)
“Gênesis” é a segunda canção do álbum Sobrevivendo no Inferno. É antecedida pela invocação de uma outra canção, intitulada “Jorge da Capadócia”, de Jorge Ben.
É correto afirmar que as evocações dos elementos religiosos nesse álbum
O Recife fervilhava no começo da década de 1990, e os artistas trabalhavam para resgatar o prestígio da cultura pernambucana. Era preciso se inspirar, literalmente, nas raízes sobre as quais a cidade se construiu. Foi aí que, em 1992, com a publicação de um manifesto escrito pelo músico e jornalista Fred Zero Quatro, da banda Mundo Livre S/A, nasceu o manguebeat. O nome vem de “mangue”, vegetação típica da região, e “beat”, para representar as batidas e as influências musicais que o movimento abraçaria a partir dali. Era a hora e a vez de os caranguejos – aos quais os músicos recifenses gostavam de se comparar – mostrarem as caras: o maracatu e suas alfaias se misturaram com as batidas do hip-hop, as guitarras do rock, elementos eletrônicos e o sotaque
recifense de Chico Science. A busca pelo novo rendeu uma perspectiva diferente do Brasil ao olhar para o Recife. A cidade deixou de ser o lugar apenas do frevo e do carnaval, transformando-se na ebulição musical que continua a acontecer mesmo após os 25 anos do lançamento do primeiro disco da Nação Zumbi, Da lama ao caos.
FORCIONI, G. et al. O mangue está de volta. Revista Esquinas, n. 87, set 2019 (adaptado).
Chico Science foi fundamental para a renovação da música pernambucana, fato que se deu pela
O Movimento Manguebeat surge no início da década de 90 do século passado, em Recife, num contexto marcado pela ofensiva econômica neoliberal, que deixou de lado as demandas sociais e abriu, assim, espaço para um ‘caldo’ sociopolítico, propício ao surgimento de movimentos de rebeldia e contestação.
Fonte: CARVALHO, Cristina; GAMEIRO, Rodrigo. O Movimento Manguebeat na mudança da realidade sociopolítica de Pernambuco. In: http://www.aps.pt/vicongresso/pdfs/462.pdf/Adaptado.
Esse movimento teve como característica principal a
TEXTO I
Capítulo 4, versículo 3
Minha palavra vale um tiro, eu tenho muita munição
Na queda ou na ascensão, minha atitude vai além
E tem disposição pro mal e pro bem
Talvez eu seja um sádico ou um anjo, um mágico
Ou juiz, ou réu, o bandido do céu
Malandro ou otário, quase sanguinário
Franco atirador se for necessário
Revolucionário, insano, ou marginal
Antigo e moderno, imortal
Fronteira do céu com o inferno
Astral imprevisível, como um ataque cardíaco do verso.
RACIONAIS MCs. Sobrevivendo ao inferno. São Paulo: Cosa Nostra, 1997 (fragmento).
TEXTO II
Pode-se dizer que as várias experiências narradas nos discos do Racionais tratam no fundo de um só tema: a violência que estrutura a nossa sociedade. O grupo canta a violência que estrutura as relações entre os familiares, os amigos, o homem e a mulher, o traficante e o viciado.
Canta a violência do crime. A violência causada por inveja ou por vaidade. Também canta que a relação entre as classes sociais é sempre violenta: o racismo, a miséria, os baixos salários, a concentração de renda, a esmola, a publicidade, o alcoolismo, o jornalismo, o poder policial, a justiça, o sistema penitenciário, o governo existem por meio da violência.
GARCIA, W. Ouvindo Racionais MCs. Teresa: revista de literatura brasileira, n. 5, 2004 (adaptado).
Na letra da canção, a tematização da violência mencionada no Texto lI manifesta-se
Xe rohenói eju orendive (Tradução do verso: Nós te chamamos pra revolucionar)
Venha com nós, nessa levada
Xe rohenói eju orendive (Tradução do verso: Nós te chamamos pra revolucionar)
Aldeia unida, mostra a cara
BRÔ MC’S OFICIAL. Brô Mc’s - Eju orendivê | Clipe oficial | Legendado. 6/5/2020. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=sqq1ye9aK0s. Acesso em: 31 out. 2022 (fragmento).
Rememorando o RAP Eju orendive, do Grupo Brô Mcs, estando apresentado o refrão em sua versão oficial, extraído do canal desse Grupo no YouTube, é correto afirmar que
Fim de semana no parque
Olha o meu povo nas favelas e vai perceber
Daqui eu vejo uma caranga do ano
Toda equipada e o tiozinho guiando
Com seus filhos ao lado estão indo ao parque
Eufóricos brinquedos eletrônicos
Automaticamente eu imagino
A molecada lá da área como é que tá
Provavelmente correndo pra lá e pra cá
Jogando bola descalços nas ruas de terra
É, brincam do jeito que dá
[...]
Olha só aquele clube, que da hora
Olha aquela quadra, olha aquele campo, olha
Olha quanta gente
Tem sorveteria, cinema, piscina quente
[...]
Aqui não vejo nenhum clube poliesportivo
Pra molecada frequentar nenhum incentivo
O investimento no lazer é muito escasso
O centro comunitário é um fracasso
RAClONAlS MCs. Racionais MCs. São Paulo: Zimbabwue, 1994 (fragmento).
A letra da canção apresenta uma realidade social quanto à distribuição distinta dos espaços de lazer que
“Deus fez o mar, as árvore, as criança, o amor
O homem me deu a favela, o crack, a trairagem, as arma, as bebida, as puta
Eu?! Eu tenho uma Bíblia velha, uma pistola automática e um sentimento de revolta
Eu tô tentando sobreviver no inferno”.
(RACIONAIS MC’S. Gênesis. In: Sobrevivendo no inferno. São Paulo: Companhia das Letras, p. 45, 2018.)
A palavra “Gênesis” dá nome ao primeiro livro da Bíblia. Considerando a obra, na íntegra, dos Racionais MC’s e o excerto acima dela reproduzido, pode-se dizer que, em relação a esse trecho, “gênesis” seria uma alusão
Leia os versos a seguir.
Tô enfiado na lama
É um bairro sujo
Onde os urubus têm casas
E eu não tenho asas
Mas estou aqui em minha casa
Onde os urubus têm asas
Eu vou pintando, segurando as paredes
No mangue do meu quintal e manguetown
Andando por entre os becos
Andando em coletivos
Ninguém foge ao cheiro sujo
Da lama da manguetown (...)
(...) Fui no mangue catar lixo
Pegar caranguejo
Conversar com urubu.
“Manguetown” – Intérprete: Chico Science e Nação Zumbi. In: Afrociberdelia. Intérprete: Chico Science e Nação Zumbi. Rio de Janeiro: Chaos, 1996, CD, faixa 12, (3:15 min).
O texto acima reporta trechos da canção intitulada “Manguetown”, e assim como demais canções, atividades, ou movimentos culturais e artísticos, muitas vezes expressam críticas sociais sobre diferentes problemáticas que atingem a sociedade. Sobre as temáticas que permeiam o espaço urbano e temas correlatos, assinale a alternativa CORRETA.
A cidade
E a situação sempre mais ou menos,
Sempre uns com mais e outros com menos.
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce.
CHICO SCIENCE e Nação Zumbi. In: Da lama ao caos. Rio de Janeiro: Chaos; Sony Music, 1994 (fragmento).
A letra da canção do início dos anos 1990 destaca uma questão presente nos centros urbanos brasileiros que se refere ao(à)
Analise este trecho de música, em que se retratam condições socioambientais das grandes cidades brasileiras:
A CIDADE
A cidade se apresenta centro das ambições
Para mendigos ou ricos e outras armações
Coletivos, automóveis, motos e metrôs
Trabalhadores, patrões, policiais e camelôs
A cidade não para, a cidade só cresce
O de cima sobe e o de baixo desce
Chico Science, "A Cidade".
A partir dessa análise, é INCORRETO afirmar que, nesse trecho de música, o autor
Analise parte da letra da música “Tô ouvindo alguém me chamar”, de Mano Brown, faixa de Sobrevivendo no inferno, álbum lançado em 1997 pelos Racionais MC’s.
Nunca mais vi meu irmão
Diz que ele pergunta de mim (não sei não)
A gente nunca teve muito a ver
Outra ideia, outro rolê
Os maluco lá do bairro
Já falava de revólver, droga, carro
Pela janela da classe, eu olhava lá fora
A rua me atraía mais do que a escola
Fiz dezessete, tinha que sobreviver
Agora eu era um homem, tinha que correr
No mundão você vale o que tem
Eu não podia contar com ninguém
[...] fica você com seu sonho de doutô
Quando acordar cê me avisa, morô?
Eu e meu irmão era como óleo e água
Quando eu saí de casa trouxe muita mágoa
Isso há mais ou menos seis anos atrás [...]
Meu sobrinho nasceu
Diz que o rosto dele é parecido com o meu
É, diz…
Um pivete eu sempre quis
Meu irmão merece ser feliz
Deve estar a essa altura
Bem perto de fazer a formatura
Acho que é direito, advocacia
Acho que era isso que ele queria
Sinceramente, eu me sinto feliz
Graças a Deus, não fez o que eu fiz
Minha finada mãe, proteja o seu menino
O diabo agora guia o meu destino
Se o júri for generoso comigo
Quinze anos pra cada latrocínio
Sem dinheiro pra me defender [...]
(Sobrevivendo no inferno, 2018.)
O excerto da letra identifica
Leia atentamente o seguinte trecho de uma letra de música:
Negro Drama
Racionais MC’s
Negro drama
Entre o sucesso e a lama
Dinheiro, problemas
Inveja, luxo, fama
Negro drama
Cabelo crespo
E a pele escura
A ferida, a chaga
Á procura da cura
Negro drama
Tenta ver
E não vê nada
A não ser uma estrela
Longe, meio ofuscada
Sente o drama
O preço, a cobrança
No amor, no ódio
A insana vingança
[...]
O drama da cadeia e favela
Túmulo, sangue
Sirene, choros e velas
Passageiros do Brasil
São Paulo
Agonia que sobrevive
Em meio às honras e covardias
Periferias, vielas e cortiços
Você deve tá pensando
O que você tem a ver com isso
Desde o início
Por ouro e prata
Olha quem morre
Então veja você quem mata
Recebe o mérito, a farda
Que pratica o mal
Me ver
Pobre, preso ou morto
Já é cultural
[...]
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sciarttext&pid=S0103-40142004000100020
Baseando-se no trecho da música “Negro drama”, do grupo de rap Racionais MC's, é correto afirmar que o texto
GOL ANULADO Quando você gritou mengo No segundo gol do Zico Tirei sem pensar o cinto E bati até cansar (João Bosco e Aldir Blanc , 1976)NA SUBIDA DO MORRO Na subida do morro me contaram Que você bateu na minha nega Isso não é direito Bater numa mulher que não é sua (Moreira da Silva e Ribeiro da Cunha, 1958)
FAIXA AMARELA Mas se ela vacilar, vou dar um castigo nela Vou lhe dar uma banda de frente Quebrar cinco dentes e quatro costelas Vou pegar a tal faixa amarela Gravada com o nome dela E mandar incendiar Na entrada da favela (Zeca Pagodinho e outros, 1997)TREPADEIRA E tu vem, Meu coração parte e grita assim “Arrasa biscate!” Merece era uma surra, de espada de São Jorge (Emicida, 2013)
vagalume.com.br
A comparação das letras das canções revela uma característica marcante que perpassa diferentes grupos e classes na sociedade brasileira.
Tal característica está indicada em:
Leia os textos abaixo:
60 por cento dos jovens de periferia sem antecedentes criminais
Já sofreram violência policial
A cada quatro pessoas mortas pela polícia, três são negras
Nas universidades brasileiras
Apenas 2 por cento dos alunos são negros
A cada quatro horas, um jovem negro morre violentamente
Em São Paulo
Aqui quem fala é Primo Preto, mais um sobrevivente
(Mano Brown)
Minha intenção é ruim...
esvazia o lugar
Eu tô em cima, eu tô a fim...
um dois pra atirar
Eu sou bem pior do que você tá vendo
O preto aqui não tem dó...
é 100 por cento veneno [...]
Violentamente pacífico, verídico
Vim pra sabotar seu raciocínio
Vim pra abalar seu sistema nervoso e sanguíneo
(Racionais MC. Sobrevivendo no inferno, 1997.)
Peguei um balaio fui na feira
Roubar tomate e cebola
Ia passando uma véia
Pegou a minha cenoura
"Ae minha véia
Deixa a cenoura aqui"
"Com a barriga vazia
não consigo dormir"
E com o bucho mais cheio
Comecei a pensar
Que eu me organizando
Posso desorganizar
Que eu desorganizando
Posso me organizar
Da lama ao caos
Do caos à lama
Um homem roubado nunca se engana
(Chico Science e Nação Zumbi. Da lama ao caos, 1994.)
Além de lutarem permanentemente contra distintas formas de preconceito, discriminação social e até mesmo criminalização, movimentos culturais como Manguebeat, Rap, Hip-hop e batuques podem ser vistos como importantes manifestações de valorização de uma cultura existente na periferia das grandes cidades, por meio da poesia, da música e da rima. Recentemente, essa força na música contemporânea brasileira voltou a ser destaque com o grupo Racionais MC, que comemora, em 2018, os vinte e um anos de lançamento de seu álbum Sobrevivendono inferno (1997). Este álbum foi aclamado pela crítica musical como um dos mais importantes da música brasileira no século XX.
Levando em consideração os textos acima, responda:
a) Indique UMA problemática social contemporânea revelada pelas poesias de Chico Science e Racionais MC.
b) Como se pode explicar, compreendendo-se as mudanças históricas processadas ao longo das últimas três décadas, a emergência de tais movimentos culturais?
Gabarito
Resposta da questão 1:
[C]
Como um gênero da música popular e urbana e um dos pilares da cultura hip-hop, o rap se caracteriza com rimas e poesias em um contexto do hip-hop onde se aliam música, dança e grafite.
Resposta da questão 2:
[A]
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Artes]
O rap é considerado um movimento urbano contemporâneo. Logo, o rap dos povos originários é uma fusão de uma manifestação urbana com a cultura indígena.
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Português]
As opções [B], [C], [D] e [E] são incorretas, pois, segundo o texto, o rap indígena
[B] aborda essencialmente causas indígenas.
[C] Ao ter contato com o rádio, o povo indígena percebeu a sua importância para a divulgação de causas próprias através de músicas.
[D] A inclusão de estilos musicais urbanos à indígena não descaracteriza a realidade sociocultural dos povos originários.
[E] O uso de recursos poéticos nas letras do rap não tem como objetivo estimular o estudo da poesia indígena, que aborda, principalmente, temas cosmológicas e de visões de mundo das etnias.
Assim, é correta a opção [A].
Resposta da questão 3:
[C]
A cultura é composta de elementos diversos. No trecho da música dos Racionais Mc’s, estão presentes elementos culturais que, aparentemente, são contraditórios: a religião e a criminalidade. No entanto, no contexto social em que tal música foi escrita, essa relação faz sentido, pois são elementos que descrevem a complexidade social dentro da qual os compositores devem construir suas experiências de vida.
Resposta da questão 4:
[E]
O próprio texto enfatiza a mistura de influências usada por Science na renovação da música pernambucana. Maracatu, hip-hop, rock e música eletrônica influenciaram a formação do manguebeat.
Resposta da questão 5:
[A]
Somente a alternativa [A] está correta. O texto ao mencionar o contexto histórico brasileiro e mundial apoiado no Neoliberalismo aponta para o surgimento de um Estado mínimo e enxuto defensor da meritocracia, da concorrência e enfatizando a concepção de que cada um é dono de seu destino. Esse cenário contribuiu para o surgimento de manifestações artísticas e culturais que estabeleciam, através da arte, críticas ao mundo neoliberal. Assim surgiu o Manguebeat com o trabalho de Chico Science & Nação Zumbi. O movimento surgiu no início dos anos 90 contestando a situação de abandono e descaso em o que a cidade do Recife se encontrava. A destruição dos mangues, a poluição dos rios, pobreza e desigualdade social transformavam a capital de Pernambuco em uma péssima cidade para se viver.
Resposta da questão 6:
[C]
As opções [A], [B], [D] e [E] são incorretas, pois, na letra da canção, a tematização da violência mencionada no texto II
[A] não se apresenta como metáfora da desigualdade, trata-se da representação da personalidade complexa do eu lírico, o que influencia a sua arte poética: “como um ataque cardíaco do verso”.
[B] Termos como “tiro”, “munição”, “franco atirador” são relacionados com o comportamento do eu poético e não com uma crítica à opressão da população das periferias.
[D] As antíteses presentes na canção não invertem nem relativizam as representações da maldade e bondade do enunciador, sendo sim reveladoras do seu temperamento multifacetado.
[E] O texto não apresenta referências à imortalidade, mas sim à resistência à morte no cotidiano violento em que vive o narrador.
Assim, é correta a opção [C], na medida em que o eu lírico discorre sobre a forma como atua como poeta que concebe a palavra como uma forma de combate e insubordinação, o que caracteriza a metalinguagem.
Resposta da questão 7:
[E]
As opções [A], [B], [C] e [D] são incorretas, pois
[A] o RAP Eju orendive conclama à união entre raças que, apesar de diferenças culturais, que podem conviver de forma pacífica.
[B] Desenvolve-se a partir da primeira pessoa do plural.
[C] As letras do grupo BRÔ MC’S são escritas em português e em guarani, sugerindo que, em termos de opressão, não há muita diferença entre o que o povo negro e o povo indígena passam.
[D] Não existe ironia nem crítica explícita, apenas a manifestação do desejo de união das diversas culturas da comunidade para expressarem as suas demandas através do uso da língua portuguesa e o idioma indígena.
Assim, é correta a opção [E].
Resposta da questão 8:
[D]
A letra da canção coloca em oposição os equipamentos de lazer e espaços usados por uma população marcada por profundas desigualdades sociais. Enquanto uns usufruem de tecnologia, parques e clubes poliesportivos para diversão e lazer, outros, em posição social desfavorável, lutam com falta de espaços e equipamentos por falta de infraestrutura e investimentos, como se afirma em [D].
Resposta da questão 9:
[C]
No trecho apresentado, vemos que os aspectos positivos da Terra – como o mar, as árvores, as crianças e o amor – são associados a criações de Deus, ao passo que os problemas – como o crack, a trairagem e as armas, por exemplo – são associados à criação dos seres humanos. Assim, existe um contraponto estabelecido entre a origem divina do mundo e os problemas criados pelo homem.
Resposta da questão 10:
[C]
A alternativa [C] é correta porque os coletores de resíduos recicláveis reinserem o material já utilizado nos sistemas produtivos. As alternativas incorretas são: [A], porque as cidades apresentam problemas de segregação; [B] e [D], porque a despeito da obrigatoriedade do planejamento e de sua prática, os problemas urbanos persistem, a exemplo da ocupação de áreas inadequadas; [E], porque embora tenha havido redução da taxa de natalidade, a base numérica da população resulta ainda em crescimento populacional e urbano, e os problemas das cidades não estão em constante redução.
Resposta da questão 11:
[E]
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Geografia]
O Brasil é um dos países com pior distribuição de renda do mundo. A desigualdade social se manifesta no espaço rural e no espaço urbano. A urbanização brasileira foi rápida, desordenada e marcada por especulação imobiliária e segregação socioespacial da população mais carente em bairros periféricos, aglomerados subnormais e cortiços.
[Resposta do ponto de vista da disciplina de Sociologia]
A letra da música evidencia, claramente, o aumento da desigualdade de renda em contexto urbano, dado que o “o de cima sobe e o de baixo desce”.
Resposta da questão 12:
[C]
Resposta da questão 13:
[D]
Apenas a alternativa [D] está correta pois o trecho evidencia o contraste entre as expectativas sociais — escolarização, profissão, estabilidade — e o destino de jovens pobres das periferias, cuja trajetória é marcada pela desigualdade, pela falta de acesso a oportunidades e pela força das redes de marginalização. A narrativa contrapõe o caminho institucionalizado do irmão (estudo, formatura, reconhecimento social) ao caminho imposto ao narrador, que, diante de limitações estruturais, vê-se empurrado para o crime. Essa tensão revela como os padrões normativos de “sucesso” convivem com a exclusão sistemática de parcelas vulneráveis da população.
A alternativa [A] está incorreta pois a letra não reduz a criminalidade a um problema moral, mas a insere em um contexto social marcado por desigualdade, violência estrutural e ausência de oportunidades.
A alternativa [B] está incorreta porque a música não discute políticas públicas específicas do regime militar, mas sim dinâmicas contemporâneas das periferias urbanas.
A alternativa [C] está incorreta pois, embora o racismo estrutural seja um pano de fundo possível na interpretação sociológica, o foco do excerto não é sua origem histórica no pós-abolição, e sim os efeitos presentes da marginalização urbana.
A alternativa [E] está incorreta porque o texto não afirma que houve supressão de políticas educacionais ou de estímulo ao emprego após o regime militar, mas expõe a vivência individual do narrador diante de desigualdades persistentes.
Resposta da questão 14:
[B]
A partir da análise sociológica da letra da música, o aluno deve identificar a referência ao status atribuído aos indivíduos de etnia negra, que reflete um processo social de exclusão e violência cotidianas fundamentadas no preconceito racial, cujas raízes são históricas. Nesse sentido, a música destaca a naturalização de permanências históricas culturalmente construídas.
Resposta da questão 15:
[B]
As três canções possuem em comum o fato de apresentarem relatos de violência no cotidiano das pessoas. Por nenhuma delas ser uma forma de violência estatal, podemos dizer que são casos de violência doméstica. Vale ressaltar que a violência é um dos elementos fundantes da cultura brasileira, por mais que muitas vezes nos consideremos um povo pacífico.