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09

Brock: juventude, revolta e prazer

16 questões · 15 de múltipla escolha

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Ler o capítulo 9 →

  • 01 Upe-ssa 3 2016

    É sangue mesmo, não é mertiolate.

    E todos querem ver

    E comentar a novidade.

    É tão emocionante um acidente de verdade. Estão todos satisfeitos

    Com o sucesso do desastre: Vai passar na televisão.

    Por gentileza, aguarde um momento.

    Sem carteirinha, não tem atendimento –

    Carteira de trabalho assinada, sim, senhor.

    Olha o tumulto: façam fila por favor.

    Todos com a documentação.

    Quem não tem senha, não tem lugar marcado.

    Eu sinto muito, mas já passa do horário.

    Entendo seu problema, mas não posso resolver:

    É contra o regulamento, está bem aqui, pode ver. Ordens são ordens.

    Em todo o caso, já temos a sua ficha.

    Só falta o recibo comprovando residência.

    P’rá limpar todo esse sangue, chamei a faxineira – E agora eu já vou indo senão eu perco a novela

    E eu não quero ficar na mão.

    RUSSO, Renato. Metrópole. 1986.

    As composições da banda Legião Urbana fazem parte do cenário do Rock brasileiro dos anos 1980, que tinham como principal objetivo

  • 02 Ufg 2013

    Leia o trecho da composição a seguir.

    Mas se você achar

    Que eu tô derrotado

    Saiba que ainda estão rolando os dados

    Porque o tempo, o tempo não para.

    A tua piscina tá cheia de ratos

    Tuas ideias não correspondem aos fatos

    O tempo não para

    Eu vejo o futuro repetir o passado

    Eu vejo um museu de grandes novidades

    O tempo não para

    Não para, não, não para.

    CAZUZA. O tempo não para. Álbum O tempo não para. Gravadora Universal Music Brasil, 1989. Faixa 6. (Adaptado).

    Datada de 1989, a composição de Cazuza integra o repertório do rock nacional. Atingindo um público amplo, essa composição exprime uma relação entre a vivência dos jovens e a apreensão de seu tempo, quando

    Pais e Filhos

    Estátuas, e cofres, e paredes pintadas

    Ninguém sabe o que aconteceu

    Hum, ela se jogou da janela do quinto andar

    Nada é fácil de entender

    Dorme agora

    Hum, hum

    É só o vento lá fora

    Quero colo

    Vou fugir de casa

    Posso dormir aqui com vocês?

    Estou com medo

    Tive um pesadelo

    Só vou voltar depois das três

    Meu filho vai ter nome de santo

    Quero o nome mais bonito

    É preciso amar

    As pessoas como se não houvesse amanhã

    Porque se você parar pra pensar

    Na verdade, não há

    Me diz por que que o céu é azul

    Explica a grande fúria do mundo

    São meus filhos que tomam conta de mim

    Eu moro com a minha mãe, mas meu pai vem me visitar

    Eu moro na rua, não tenho ninguém

    Eu moro em qualquer lugar

    Já morei em tanta casa que nem me lembro mais

    Eu moro com meus pais

    É preciso amar

    As pessoas como se não houvesse amanhã

    Porque se você parar pra pensar

    Na verdade, não há

    Sou uma gota d’água

    Sou um grão de areia

    Você me diz que seus pais não o entendem

    Mas você não entende seus pais

    Você culpa seus pais por tudo

    Isso é um absurdo

    São crianças como você

    O que você vai ser

    Quando você crescer?

    (Renato/Legião Urbana. Pais e Filhos. In: RUSSO, As quatro Estações. Rio de Janeiro: EMI, 1989)

  • 03 Provão Paulista 2 2023

    Na terceira estrofe da canção “Pais e Filhos” (“Quero colo... só vou voltar depois das três”), os versos aparentemente independentes uns dos outros significam que

  • 04 Ufms 2020

    Leia a letra da canção “Até quando esperar”, da banda de punk rock brasileira Plebe Rude, lançada no ano de 1986 e que integra o disco O Concreto Já Rachou.

    Até quando esperar

    Não é nossa culpa

    Nascemos já com uma benção

    Mas isso não é desculpa

    Pela má distribuição

    Com tanta riqueza por aí

    Onde é que está, cadê sua fração?

    Até quando esperar?

    E cadê a esmola

    Que nos damos sem perceber

    Que aquele afortunado

    Poderia ter sido você

    Até quando esperar?

    A plebe ajoelhar esperando ajuda de Deus

    Posso vigiar seu carro, te pedir cigarro,

    Engraxar seu sapato?

    Ao propor a crítica presente na canção, aquele grupo musical desempenha um importante papel na sociedade, que é:

    Ideologia

    Meu partido

    É um coração partido

    E as ilusões

    Estão todas perdidas

    Os meus sonhos

    Foram todos vendidos

    Tão barato que eu nem acredito

    Ah! Eu nem acredito

    Que aquele garoto

    Que ia mudar o mundo

    Mudar o mundo

    Frequenta agora

    As festas do Grand Monde

    Meus heróis

    Morreram de overdose

    Meus inimigos

    Estão no poder

    Ideologia!

    Eu quero uma pra viver

    Ideologia!

    Eu quero uma pra viver

    [...]

    CAZUZA. Ideologia. Rio de Janeiro: Polygram do Brasil Ltda, 1988. 1 disco

  • 05 G1 - ifsul 2019

    Conforme definição do Dicionário Houaiss, ideologia é uma ciência “que atribui a origem das ideias humanas às percepções sensoriais do mundo externo”. Com base nessa definição do dicionário, é correto deduzir-se do texto de Cazuza que a palavra foi utilizada com a intenção de

  • 06 Acervo 2012

    Leia.

    Eu vivo sem saber até quando ainda estou vivo Sem saber o calibre do perigo Eu não sei da onde vem o tiro

    Por que caminhos você vai e volta? Aonde você nunca vai? Em que esquinas você nunca para? A que horas você nunca sai? Há quanto tempo você sente medo? Quantos amigos você já perdeu? Entrincheirado, vivendo em segredo E ainda diz que não é problema seu

    E a vida já não é mais vida No caos ninguém é cidadão As promessas foram esquecidas Não há Estado, não há mais nação Perdido em números de guerra Rezando por dias de paz Não vê que a sua vida aqui se encerra Com uma nota curta nos jornais

    Os Paralamas do Sucesso. O Calibre. In: Longo Caminho. [CD] Rio de Janeiro: EMI, 2002.

    Sobre a abordagem sociológica a respeito da violência contemporânea, assinale a alternativa incorreta.

  • 07 Ebmsp 2018

    Todo dia o sol da manhã vem e lhe desafia.

    Trazendo sonhos pro mundo, quem já não o queria

    Palafitas, trapiches, farrapos

    Filhos da mesma agonia.

    E a cidade que tem braços abertos num cartão postal

    Com punhos fechados na vida real

    Lhe nega oportunidades

    Mostra a face do mal

    Alagados Trenchtown, Favela da Maré

    A esperança não vem do mar

    Nem das antenas de TV

    A arte de viver na fé só não sabe fé em quê

    RIBEIRO, Felipe De Nobrega B.; SILVA, Joao Alberto Barone; VIANNA, Herbert. Alagados. Gravação: Os Paralamas do Sucesso, 1986.

    Fenômenos socioeconômicos e culturais influenciaram a urbanização brasileira.

    Considerando-se o poema da canção Alagados e os conhecimentos sobre o atual estágio da urbanização nacional, pode-se concluir:

  • 08 Ueg 2020

    Ideologia

    Meu partido É um coração partido E as ilusões Estão todas perdidas Os meus sonhos Foram todos vendidos Tão barato que eu nem acredito Ah! Eu nem acredito Que aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Frequenta agora As festas do Grand Monde Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Eu quero uma pra viver O meu prazer Agora é risco de vida Meu sex and drugs Não tem nenhum rock 'n' roll Eu vou pagar A conta do analista Pra nunca mais Ter que saber Quem eu sou Ah! Saber quem eu sou

    Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro! Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Pra viver Pois aquele garoto Que ia mudar o mundo Mudar o mundo Agora assiste a tudo Em cima do muro Em cima do muro Meus heróis Morreram de overdose Meus inimigos Estão no poder Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Eu quero uma pra viver Ideologia! Pra viver Ideologia! Eu quero uma pra viver

    Disponível em: https://www.letras.mus.br/cazuza/43860/. Acesso em: 09 out. 2019.

    O termo “ideologia” é um dos mais abordados na história da filosofia e da sociologia. Desde o surgimento da palavra e seu primeiro significado, com Destutt de Tracy, ela recebeu várias interpretações, entre as quais as de Marx e posteriormente Mannheim, até chegar a Ricouer e outros. A ideologia já foi concebida como falsa consciência, sistema de pensamento ilusório, pensamento valorativo, concepção metafísica pré-científica, visão de mundo, etc. A letra da música “ideologia” tematiza esse termo. A partir das concepções existentes sobre esse termo, podemos dizer que a ideologia, de acordo com a letra da música, se aproxima mais da concepção:

  • 09 Uerj 2014

    Faroeste caboclo

    − Não tinha medo o tal João de Santo Cristo.

    Era o que todos diziam quando ele se perdeu.

    Deixou pra trás todo o marasmo da fazenda

    (...)

    Ele queria sair para ver o mar

    E as coisas que ele via na televisão

    Juntou dinheiro para poder viajar

    De escolha própria, escolheu a solidão

    (...)

    E encontrou um boiadeiro com quem foi falar

    (...)

    Dizia ele: − Estou indo pra Brasília

    Neste país lugar melhor não há.

    (...)

    E João aceitou sua proposta

    E num ônibus entrou no

    Planalto Central

    Ele ficou bestificado com a cidade

    (...)

    E João não conseguiu o que queria quando veio pra

    Brasília, com o diabo ter

    Ele queria era falar pro presidente

    Pra ajudar toda essa gente

    Que só faz sofrer.

    Renato Russo, “Que país é este?”, EMI, 1987.

    O enredo do filme Faroeste caboclo, inspirado na letra da canção de Renato Russo, foi contado muitas vezes na literatura brasileira: o retirante que abandona o sertão em busca de melhores condições de vida.

    A existência de retirantes está associada fundamentalmente à seguinte característica da sociedade brasileira:

  • 10 Ufjf-pism 3 2016

    Leia o texto abaixo e, em seguida, responda o que se pede:

    “Na cidade do Rock em Jacarepaguá mil jovens se comprimiam enquanto acontecia a apresentação do grupo Barão Vermelho na noite de terça-feira, 15 de janeiro de 1985. Muitos estavam vestidos de verde e amarelo ou empunhavam bandeiras do Brasil. Era o primeiro Rock in Rio e havia um intenso clima de brasilidade no palco e na multidão. Aqueles milhares e milhares de jovens vibraram e choraram de emoção, quando após interpretar “Pro dia nascer feliz”, Cazuza deu sua mensagem final: ‘Que o dia nasça feliz para todo mundo amanhã. Em um Brasil novo, uma rapaziada esperta. Valeu’

    (NOBLAT, Ricardo).

    http://noblat.oglobo.globo.com/artigos/noticia/2015/01/pro-dia-nascer-feliz.html

    A mensagem final de Cazuza na primeira edição do Rock in Rio, em 1985, remete à ideia de um “Brasil novo”, que estava sendo construído no contexto da transição da ditadura à democracia no Brasil. Sobre o contexto mais amplo dos anos 1980, é CORRETO afirmar que:

  • 11 Pucrs 2006

    INSTRUÇÃO: Responder à questão a partir da leitura e análise das letras das músicas a seguir.

    GERAÇÃO COCA-COLA - Letra: Renato Russo

    Quando nascemos fomos programados

    A receber o que vocês nos empurraram

    Com os enlatados dos USA, de 9 a 6.

    Desde pequenos nós comemos lixo

    Comercial e industrial

    Mas agora chegou nossa vez

    Vamos cuspir de volta o lixo em cima de vocês.

    Somos os filhos da revolução

    Somos burgueses sem religião

    Somos o futuro da nação

    Geração Coca-Cola.

    Depois de vinte anos na escola

    Não é difícil aprender

    Todas as manhas do seu jogo sujo

    Não é assim que tem que ser

    Vamos fazer nosso dever de casa

    E aí então, vocês vão ver

    Suas crianças derrubando reis

    Fazer comédia no cinema com as suas leis (...)

    QUE PAÍS É ESSE? - Letra: Renato Russo

    Nas favelas, no senado

    Sujeira pra todo lado

    Ninguém respeita a Constituição

    Mas todos acreditam no futuro da nação

    Que país é esse? (...)

    As letras das músicas "Geração Coca-cola" e "Que país é esse?", da banda de rock Legião Urbana, referem-se a um contexto particular de transformações na política, na sociedade e na economia brasileira. A sensação de frustração frente às promessas de mudança e de maior participação popular e estudantil na política, presente nas letras dessas músicas, refere-se a um determinado contexto político. Qual é esse contexto?

  • 12 Ueg 2016

    Os seres humanos são formados socialmente. A sociologia aborda esse processo de constituição social dos seres humanos com o termo “socialização”. Desde Marx e Durkheim, passando pela escola funcionalista até chegar aos sociólogos contemporâneos, esse é um tema fundamental da sociologia, mesmo sem usar esse termo. Alguns sociólogos atribuem um caráter repressivo e coercitivo ao processo de socialização em determinadas épocas e sociedades. A socialização, na sociedade moderna, seria diferente da que ocorre em outras sociedades. A letra da música a seguir apresenta elementos desse processo de socialização moderna.

    PRESSÃO SOCIAL Plebe Rude

    Há uma espada sobre a minha cabeçaÉ uma pressão social que não quer queeu me esqueçaQue tenho que estudarque eu tenho que trabalharque tenho que ser alguémnão posso ser ninguém Há uma espada sobre a minha cabeçaÉ uma pressão social que não quer queeu me esqueça Que a minha vitória é a derrota de alguém e o meu lucro é a perda de alguém que eu tenho que competirque eu tenho que destruir

    Há uma espada sobre a minha cabeçaÉ uma pressão social que não quer queeu me esqueça Que eu tenho que conformarconformar é rebelarque eu tenho que rebelarrebelar é conformar E quem conforma o sistema engolee quem rebela o sistema come Disponível em: . Acesso em: 16/03/2016

    A letra da música apresenta o processo de

  • 13 Ueg 2019

    Leia a letra da música a seguir.

    A melhor banda de todos os tempos da última semana

    Quinze minutos de fama

    Mais uns pros comerciais

    Quinze minutos de fama

    Depois descanse em paz

    O gênio da última hora

    É o idiota do ano seguinte

    O último novo-rico

    É o mais novo pedinte

    A melhor banda de todos os tempos da última semana

    O melhor disco brasileiro de música americana

    O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado

    O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

    Não importa a contradição

    O que importa é televisão

    Dizem que não há nada a que você não se acostume

    Cala a boca e aumenta o volume então

    As músicas mais pedidas

    Os discos que vendem mais

    As novidades antigas

    Nas páginas dos jornais

    Um idiota em inglês

    Se é idiota, é bem menos que nós

    Um idiota em inglês

    É bem melhor que eu e vocês

    A melhor banda de todos os tempos da última semana

    O melhor disco brasileiro de música americana

    O melhor disco dos últimos anos de sucesso do passado

    O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

    Não importa a contradição

    O que importa é televisão

    Dizem que não há nada a que você não se acostume

    Cala a boca e aumenta o volume então

    Os bons meninos de hoje

    Eram os rebeldes da outra estação

    O ilustre desconhecido

    É o novo ídolo do próximo verão.

    TITÃS. Disponível em: . Acesso em: 21 mar. 2019.

    A mensagem transmitida pela música aponta para um dos temas fundamentais da sociologia, que foi desenvolvido por vários pensadores, entre eles Theodor Adorno e Max Horkheimer. Nesse sentido, a mensagem remete

  • 14 Enem PPL 2018

    TEXTO I

    Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade. Em Wembley, por que perdemos? Porque, diante do quadro inglês, louro e sardento, a equipe brasileira ganiu de humildade. Jamais foi tão evidente e, eu diria mesmo, espetacular o nosso vira-latismo [...]. É um problema de fé em si mesmo. O brasileiro precisa se convencer de que não é um vira-latas.

    RODRIGUES, N. À sombra das chuteiras imortais. São Paulo: Cia. das Letras, 1993.

    TEXTO II

    A melhor banda de todos os tempos da última semana

    As músicas mais pedidas

    Os discos que vendem mais

    As novidades antigas

    Nas páginas dos jornais

    Um idiota em inglês

    Se é idiota, é bem menos que nós

    Um idiota em inglês

    É bem melhor do que eu e vocês

    A melhor banda de todos os tempos da última semana

    O melhor disco brasileiro de música americana

    O melhor disco dos últimos anos de sucessos do passado

    O maior sucesso de todos os tempos entre os dez maiores fracassos

    TITÃS. A melhor banda de todos os tempos da última semana. São Paulo: Abril Music, 2001 (fragmento).

    O verso do Texto II que estabelece a adequada relação temática com “o nosso vira-latismo”, presente no Texto I, é:

  • 15 Ufjf-pism 1 2017

    Texto I

    A televisão

    (Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Belloto)

    A televisão

    Me deixou burro

    Muito burro demais

    Oh! Oh! Oh!

    Agora todas coisas

    Que eu penso

    Me parecem iguais

    Oh! Oh! Oh!

    O sorvete me deixou gripado

    Pelo resto da vida

    E agora toda noite

    Quando deito

    É boa noite, querida

    Oh! Cride, fala pra mãe

    Que eu nunca li num livro

    Que o espirro

    Fosse um vírus sem cura

    Vê se me entende

    Pelo menos uma vez

    Criatura!

    Oh! Cride, fala pra mãe!

    A mãe diz pra eu fazer

    Alguma coisa

    Mas eu não faço nada

    Oh! Oh! Oh!

    A luz do sol me incomoda

    Então deixa

    A cortina fechada

    Oh! Oh! Oh!

    É que a televisão

    Me deixou burro

    Muito burro demais

    E agora eu vivo

    Dentro dessa jaula

    Junto dos animais

    Oh! Cride, fala pra mãe

    Que tudo que a antena captar

    Meu coração captura

    Vê se me entende

    Pelo menos uma vez

    Criatura!

    Oh! Cride, fala pra mãe!

    Titãs. Televisão. Lp. Gravadora WEA, 1985.

    Texto II

    Estorvo (fragmento)

    Vejo tumulto defronte ao edifício do meu amigo. Aglomeração, um camburão, duas joaninhas, um rabecão, vários carros de reportagem, guardas desviando o trânsito. No meio do povo, compreendo que houve um crime, alguém morreu esfaqueado e estrangulado. Vem chegando a sirene de um segundo camburão, e o empurra-empurra acaba por me levar ao miolo do acontecimento. Uma corda vermelha isola a calçada do velho prédio, formando uma espécie de ringue. A televisão entrevista o zelador sob a marquise da portaria. Deve estar ruim de filmar, pois o zelador olha para o chão e não fala direito, parece um condenado. Penso que é ele o criminoso, mas em seguida me convenço de que está somente muito envergonhado pelo seu edifício. O repórter pergunta se a vítima costumava receber rapazes, e o zelador faz sim com a cabeça, mais confessando que assentindo. A entrevista é prejudicada por uma baixinha com cara de índia e lenço na cabeça, que se desvencilha de um policial e investe contra o zelador, gritando “diga que conhece meu filho, miserável!”. O policial levanta a índia baixinha e deposita-a fora do cordão de isolamento. Ela passa outra vez sob o cordão e agora se dirige ao público. Diz “não tem televisão aí?” e diz “ninguém vai me entrevistar?”. Um rapaz que se apresenta como repórter do Diário Vigilante pergunta o que fazia o suspeito no local do crime. Ela diz “que suspeito o quê” e “que local do crime o quê”, e diz “meu filho veio me ver, foi detido entrando no prédio, se fosse suspeito estaria fugindo”, e diz “onde é que já se viu suspeito fugir para dentro?”. Sem mais nem mais, começo a ficar a favor da mãe índia. O do Diário Vigilante vai fazer outra pergunta, mas ela o interrompe e diz que trabalha no 204 há quinze anos, que todo mundo sabe quem ela é, que aquele miserável ali conhece o filho dela e não o defende porque tem preconceito de cor. Vai atacar de novo o zelador, mas é suspensa pelo policial. Outro repórter de tevê indaga ao zelador se a vítima era homossexual. O zelador resmunga “isso aí eu não sei porque nunca vi”. A índia responde à Rádio Primazia que prenderam o filho porque ele estava sem documento. Diz “meu filho estava voltando da praia, não é crime ir na praia, ninguém vai na praia com carteira de trabalho metida no calção”. Um sujeito atrás de mim diz que também é de jornal e pergunta “afinal a bichona era artista ou o quê?”. Ela responde “a bichona sei lá, parece que era professor de ginástica”. Aproxima-se o repórter da TV Promontório dizendo “ouvimos também a mãe do principal suspeito”. Aí a índia perde a razão, agarra as lapelas do repórter e desata a chorar no microfone e berrar “ele não é criminoso!, meu filho é um moço decente!”, mas o cameraman, que está trepado no capô da camionete, grita “não valeu, não gravou nada, troca a bateria!”. A índia para de chorar, olha para o setor da imprensa e diz “imagine meu filho, que até é doente, estrangulando um professor de ginástica”. Volta o repórter da TV Promontório e pede-lhe para repetir a fala anterior, que ele achou bem forte.

    BUARQUE, Chico. Estorvo. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.

    Os textos I e II possibilitam a reflexão sobre a TV como meio de comunicação. Os enfoques de cada um desses textos são, respectivamente, sobre:

    Gabarito

  • 16 Uva 2019

    “Fizeram testemunhos de um país com perspectivas de mudar, ainda que isso não se tenha realizado conforme muitos esperavam [...]. Se, no papel, os direitos civis foram recuperados, e os sociais, ampliados, houve roqueiros que deram voz a reivindicações de que era preciso transpor aqueles direitos para o cotidiano.”

    (MARQUES, 2018. Adaptado)

    Com base no contexto histórico da redemocratização e no papel da cultura jovem nos anos 1980 no Brasil, responda:

    a) Explique como o rock nacional da década de 1980 atuou como veículo de expressão política e social durante o fim da Ditadura Militar.

    b) Cite duas características temáticas ou comportamentais presentes nas letras de bandas oitentistas (como Legião Urbana, Titãs ou Plebe Rude) que refletiam os anseios da juventude urbana da época.