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Rap e Manguebeat: a periferia invade o mercado

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Resumo do capítulo

Originados em contextos sociais distintos, rap e manguebeat ampliaram os horizontes da música brasileira ao dar protagonismo às periferias urbanas e às culturas locais. Neste capítulo, você conhecerá suas origens, suas propostas estéticas e o modo como esses movimentos dialogaram com questões sociais, raciais e culturais do Brasil contemporâneo. A música aparece como espaço de resistência, criatividade e reinvenção permanente.

Trecho do livro

De modo geral, as primeiras canções da Nação Zumbi se formaram por uma sequência de versos isolados, com imagens soltas, que foram se integrando gradativamente à ideia central que conduzia a canção. Talvez um dos exemplos mais eloquentes desse tipo de construção musical e poética estaria na música “A cidade”, do álbum Da lama ao caos (1994). A letra da canção faz um retrato da situação urbana de Recife e tem em sua introdução a execução de uma música de Velho Faceta, um cantor de rua que era conhecido por compor pastoris com temáticas românticas, lúdicas ou de conteúdo sexual não muito explícito.

Assim, traz um contraste entre o Recife conhecido como ponto turístico frequentemente procurado por milhares de turistas brasileiros e estrangeiros e a cidade onde as desigualdades e a violência crescem de modo exponencial. Para falar de seus elementos paisagísticos e personagens – todos eles regidos pelas palavras de ordem do refrão (“A cidade não para, a cidade só cresce/ O de cima sobe, o debaixo desce”) – usa de uma série de metáforas que se apresentam já nos primeiros versos.

Os policiais são identificados como “cavaleiros”; os grandes edifícios são “pedras evoluídas”; e os “urubus” são todos aqueles que tiram vantagem das injustiças cotidianas daquele cenário urbano. Como solução para todos esses problemas, é proposta a invenção de uma canção “envenenada”, que teria o poder de tirar todos da lama para poderem “enfrentar os urubus”. Em sua dimensão instrumental, a música parece justamente cumprir o que a letra propõe ao seu ouvinte. “A cidade” é representada por uma guitarra que executa um riff próximo ao funk, mas conta com uma distorção pesada que lembra os timbres de uma guitarra de heavy metal. Já na seção rítmica, há a presença de alfaias, ganzás e da caixa de rufo – instrumentos típicos do maracatu nação –, que se apresentam como o “veneno” peculiar ao manguebeat.

Playlist do capítulo

  • 01Homem na estradaRacionais MC's
  • 02Tô ouvindo alguém me chamarRacionais MC's
  • 03Mano na porta do barRacionais MC's
  • 04Não existe amor em SPCriolo
  • 05De KennerFBC e VHOOR
  • 06Se tá solteiraFBC, VHOOR e Mac Júlia
  • 07DelíriosFBC, VHOOR e Djair Voz Cristalina
  • 08A cidadeChico Science & Nação Zumbi

Ouvindo a faixa inteira só com sessão aberta no Spotify. Sem login, o player reproduz apenas a prévia de 30 segundos.

Obs.: Sempre que possível, indicamos a primeira gravação ou aquela citada no livro. Quando ela não está disponível no Spotify, optamos pela versão mais próxima do original, sinalizada na lista com o nome do intérprete.

Playlist completa do livro

Disco Essencial

Da Lama ao Caos

Chico Science & Nação Zumbi · 1994

Marco inaugural do manguebeat, Da Lama ao Caos combina maracatu, rock, hip-hop, funk e música eletrônica em uma linguagem inédita na música brasileira. Além de apresentar uma sonoridade inovadora, o álbum expressa as contradições sociais e culturais do Recife dos anos 1990, tornando-se uma das obras mais influentes da música popular brasileira. O disco sintetiza a proposta do movimento de conectar tradição nordestina com modernidade artística e crítica social.

A obra analisada

Nada nesta capa está ali por acaso. Entre sangue, ancestralidade, crítica social e referências históricas, Djonga constrói uma das imagens mais impactantes da música brasileira contemporânea.

Djonga – Ladrão, 2019
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A leitura completa desta obra está no capítulo 10 do livro. Conheça o livro →

Capa do disco Ladrão de Djonga

Djonga, 2019

31,4 × 31,4 cm

Acervo Gravadora Ceia

Direção de arte: Álvaro Benevente · Fotografia: Bruna Serralha e Daniel Assis

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Recursos do capítulo

Filme

O Rap pelo Rap (2014), de Pedro Fávero e Marcelo Mesquita

Filme

Chico Science: Um Caranguejo Elétrico (2016), de José Eduardo Miglioli Junior

Entrevista

Programa Roda Viva: Mano Brown

Entrevista

Programa Ensaio: Chico Science & Nação Zumbi

Podcast

Podcast Trip FM episódio Fred Zero Quatro: O cérebro do caranguejo

Internet

Portal Rap Nacional

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Videoaula

10:43

História da Música Popular no ENEM 2017: “Fim de semana no parque” (Racionais MC’s)

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Sala de Aula

16 questões de vestibulares e do ENEM sobre este capítulo, para responder e corrigir na hora.

Exercícios deste capítulo