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Tropicália: antropofagia, guitarras e muito mais

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Resumo do capítulo

Misturando rock, samba, vanguarda artística e cultura de massa, a Tropicália rompeu fronteiras estéticas e reinventou a música popular brasileira. Este capítulo acompanha o surgimento do movimento, suas influências culturais e seus principais protagonistas, revelando como Caetano Veloso, Gilberto Gil e seus parceiros desafiaram antigas certezas sobre identidade nacional e produção artística. Uma verdadeira revolução cultural em forma de canção.

Trecho do livro

Todavia, apesar do contexto de seu surgimento lhe colocar no embate entre duas correntes musicais, o tropicalismo ia bastante além e se firmava pela autenticidade de suas múltiplas características, que denotavam ao movimento tanto uma ruptura com os padrões constituídos, quanto uma revisão estética da MPB. E é baseado no estabelecimento de um novo diálogo entre vanguarda e mercado que os artistas, fortemente influenciados por diversos movimentos artísticos – como a pop’art – passaram a produzir canções com apelo estético, comercial e político.

Eles reconheciam a força da engrenagem por de trás da indústria cultural e a utilizavam tanto para tirar proveito de suas técnicas de distribuição quanto para modernização de suas produções, mesmo que ainda resguardassem certa independência em relação à estrutura mercadológica. Aliás, a modernidade, tal qual vista em movimentos musicais anteriores, era um dos temas centrais dos tropicalistas e pautava seu projeto estético, cujo intuito era o de fazer com que o Brasil desse “um passo à frente”, conforme defendia Caetano. No entanto, cabe ressaltar que essa modernidade não era a mesma defendida pelos esquerdistas de outrora, que viam no desenvolvimento industrial e econômico uma forma de superação do atraso do Brasil. Ao contrário, a modernidade tropicalista coabitava com os arcaísmos culturais brasileiros, transformando-os em relíquias da cultura nacional; isto é, ela se estabelecia justamente pelo reconhecimento dos elementos mais “atrasados” e buscava uma forma de integrá-los à nova estética para criar algo peculiar, absurdo, surreal, mas brasileiro, acima de tudo.

E esta interação entre moderno e arcaico será fundamental para o tropicalismo, visto que elucidará as contradições de se viver em um país marcado pelo desenvolvimento desigual do capitalismo periférico durante a Guerra Fria. A Tropicália se focará, então, em produções estéticas que coloquem, lado a lado, as contradições do Brasil e também levantará outras dicotomias, como nacional X estrangeiro, sagrado X profano, erudito X popular, orgânico X tecnológico, entre outras, aproximando-se, assim, do movimento modernista de 1922 em sua vertente antropófaga.

Playlist do capítulo

  • 01RodaGilberto Gil
  • 02LouvaçãoGilberto Gil
  • 03Domingo no ParqueGilberto Gil
  • 04Alegria, AlegriaCaetano Veloso
  • 05Panis et CircencisOs Mutantes
  • 06Divino, MaravilhosoGal Costa
  • 072001Os Mutantes
  • 08Miserere NobisGilberto Gil
  • 09Hino do senhor do BonfimGal Costa, Gilberto Gil, Os Mutantes e Caetano Veloso
  • 10Coração maternoCaetano Veloso
  • 11Três caravelasGilberto Gil e Caetano Veloso
  • 12BatmacumbaGilberto Gil
  • 13Sgt. Pepper's Lonely Hearts Club BandThe Beatles

Ouvindo a faixa inteira só com sessão aberta no Spotify. Sem login, o player reproduz apenas a prévia de 30 segundos.

Obs.: Sempre que possível, indicamos a primeira gravação ou aquela citada no livro. Quando ela não está disponível no Spotify, optamos pela versão mais próxima do original, sinalizada na lista com o nome do intérprete.

Playlist completa do livro

Disco Essencial

Tropicália ou Panis et Circensis

álbum coletivo · 1968

Considerado o disco-manifesto da Tropicália, o álbum reúne Caetano Veloso, Gilberto Gil, Gal Costa, Os Mutantes, Tom Zé, Nara Leão, Torquato Neto, Capinam e Rogério Duprat em um projeto coletivo que sintetiza os princípios estéticos do movimento. Misturando rock, samba, bossa nova, música de vanguarda e referências à cultura de massa, o disco propõe uma releitura crítica da identidade brasileira inspirada na antropofagia modernista. Mais do que uma coletânea de canções, tornou-se um marco da história da música popular brasileira e uma das obras mais influentes do século XX.

A obra analisada

Quem era Lindonéia? Por que sua história inspirou uma canção tropicalista? Descubra como uma personagem anônima se tornou um dos grandes ícones da arte brasileira dos anos 1960.

Rubens Gerchman – A Bela Lindonéia, 1966
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A leitura completa desta obra está no capítulo 7 do livro. Conheça o livro →

Bela Lindonéia ou Lindonéia, a Gioconda dos subúrbios

Rubens Gerchman, 1966

Técnica mista (acrílica, vidro bisotê e colagem sobre madeira)

90 × 90 cm

Pertencente ao acervo do MAM-RJ (Coleção Gilberto Chateaubriand)

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Recursos do capítulo

Filme

Tropicália (2012), de Marcelo Machado

Filme

Loki: Arnaldo Baptista (2008), de Paulo Henrique Fontenelle

Entrevista

Programa Conversa com Bial: 50 anos de Tropicália ou Panis et Circensis

Entrevista

Programa Ensaio: Gal Costa

Podcast

O Produtor da Tropicália, apresentado por Renato Vieira

Internet

Google Arts & Culture – O que é o movimento Tropicália?

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Sala de Aula

16 questões de vestibulares e do ENEM sobre este capítulo, para responder e corrigir na hora.

Exercícios deste capítulo