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A gente não sabemos

Capítulo
9 — Brock: juventude, revolta e prazer
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
3ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Língua Portuguesa
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

A derrota das Diretas Já em abril de 1984 e a ironia como linguagem política de uma geração.

Problema norteadorRir da própria derrota é conformismo ou é crítica?

Habilidades

EM13CHS103 Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de natureza qualitativa e quantitativa (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos, gráficos, mapas, tabelas etc.).

EM13CHS602 Identificar, caracterizar e relacionar a presença do paternalismo, do autoritarismo e do populismo na política, na sociedade e nas culturas brasileira e latino-americana, em períodos ditatoriais e democráticos, com as formas de organização e de articulação das sociedades em defesa da autonomia, da liberdade, do diálogo e da promoção da cidadania.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H10 — Reconhecer a dinâmica da organização dos movimentos sociais e a importância da participação da coletividade na transformação da realidade histórico-geográfica; H24 — Relacionar cidadania e democracia na organização das sociedades.

Para treinar: questão 11 da lista do capítulo 9, questão 10 da lista do capítulo 9.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Rir da própria derrota é conformismo ou é crítica?
  • Compreender campanha das Diretas Já, 1983 e 1984; a Emenda Dante de Oliveira e sua rejeição.
  • Compreender ausência como manobra parlamentar; quórum e maioria qualificada.
  • Compreender a eleição indireta de 1985 e a Nova República.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: uma peça de humor político sobre um fato recente escolhido pela turma — texto, tira, roteiro de vídeo curto —, entregue com uma nota explicando qual é a crítica embutida e por que a forma escolhida foi o humor.

Os números da votação são a aula inteira: 298 votos a favor quando eram necessários 320, faltando vinte e dois, com 113 ausências deliberadas. Nada explica melhor como se derrota uma maioria sem votar contra ela.

A canção que respondeu a isso não é indignada, é debochada — e o deboche usa um erro de concordância como arma. Língua Portuguesa entra pela porta da frente: a norma culta vira instrumento de crítica quando é quebrada de propósito.

Ensina que humor é posição política, e não ausência dela, o que é exatamente o oposto do que o aluno costuma supor.

E tem um dado incômodo para o fim: em 1986, já sob governo civil, uma canção ainda foi proibida de tocar. A censura não acaba no dia em que a ditadura acaba.

Conteúdos envolvidos

  • Campanha das Diretas Já, 1983 e 1984; a Emenda Dante de Oliveira e sua rejeição.
  • Ausência como manobra parlamentar; quórum e maioria qualificada.
  • A eleição indireta de 1985 e a Nova República.
  • Ironia, hipérbole e desvio da norma como recursos de crítica.
  • Censura residual depois do fim formal do regime.

Desenvolvimento

1
Escuta sem contexto · 10 min Escuta

Quem está falando, e essa pessoa está brava, triste ou zombando?

2
O placar na lousa · 10 min Leitura

298, 320, 113. A turma tenta interpretar os três números antes de qualquer explicação.

3
A manobra · 10 min Exposição

Como se derrota uma emenda esvaziando a sessão.

4
Segunda escuta · 10 min Escuta

Agora sabendo. O que a canção está chamando de inútil, e quem ela está chamando de inútil?

5
Língua Portuguesa assume · 10 min Leitura

O erro de concordância deliberado. Quem fala assim, e quem a canção está imitando?

6
O epílogo desconfortável · 10 min Exposição

A canção proibida em 1986, dois anos depois, com presidente civil.

7
Debate final · 20 min Debate

Sobre a pergunta norteadora.

Materiais

Inútil
Ultraje a Rigor · 1983 · Composição de Roger Moreira

O deboche como resposta à derrota, com o erro de concordância usado de propósito.

Ouvir
Bichos escrotos
Titãs · 1986 · Composição de Arnaldo Antunes, Sérgio Britto e Nando Reis

Teve a execução pública proibida em 1986, já sob governo civil.

Ouvir

Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Uma peça de humor político sobre um fato recente escolhido pela turma — texto, tira, roteiro de vídeo curto —, entregue com uma nota explicando qual é a crítica embutida e por que a forma escolhida foi o humor.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Relação entre imagem e som: o que a montagem afirma que a canção sozinha não afirmava.
  • Clareza do argumento e distinção entre o que a fonte prova e o que apenas sugere.