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O passado está dentro da batida

Capítulo
10 — Rap e Manguebeat: a periferia invade o mercado
Nível
Ensino Médio
Ano sugerido
2ª série do Ensino Médio
Disciplina
História
Com
Arte
Tempo sugerido
2 aulas de 50 minutos
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Tema geral

O sample como citação: quando um rap traz um disco antigo para dentro de si, e o que essa escolha diz sobre o passado que ele reivindica.

Problema norteadorDois rappers escolhem antepassados diferentes para a própria música. O que cada escolha diz sobre o Brasil que cada um reivindica?

Habilidades

EM13CHS101 Analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão e à crítica de ideias filosóficas e processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais.

EM13CHS104 Analisar objetos da cultura material e imaterial como suporte de conhecimentos, valores, crenças e práticas que singularizam diferentes sociedades inseridas no tempo e no espaço.

EM13LGG105 Analisar e experimentar diversos processos de remidiação de produções multissemióticas, multimídia e transmídia, como forma de fomentar diferentes modos de participação e intervenção social.

No ENEM
Matriz de Referência do ENEM. Ciências Humanas e suas Tecnologias: H2 — Analisar a produção da memória pelas sociedades humanas; H3 — Associar as manifestações culturais do presente aos seus processos históricos.

Para treinar: questão 2 da lista do capítulo 10, questão 13 da lista do capítulo 10.

Objetivos

  • Analisar e relacionar a canção e os demais documentos da aula como fontes históricas, para responder à pergunta norteadora: Dois rappers escolhem antepassados diferentes para a própria música. O que cada escolha diz sobre o Brasil que cada um reivindica?
  • Compreender sample: o que é, como se faz, o que a lei exige e o que os créditos declaram.
  • Compreender direito autoral e remuneração de quem é sampleado.
  • Compreender as camadas históricas que cada matriz carrega: samba, bossa, soul brasileiro, soul norte-americano.
  • Avaliar o percurso da aula no produto final: uma árvore genealógica sonora, em grupo: um rap no topo, as gravações que ele traz dentro de si nos galhos, e para cada galho uma ficha com data, contexto histórico e o crédito de quem deveria receber por ela. No pé da árvore, um parágrafo dizendo que passado aquele artista escolheu como seu.

É o oposto exato de analisar letra. Aqui o documento histórico está audível dentro da própria gravação: o violão de uma gravação de bossa, um samba dos anos 1970, uma faixa de soul brasileiro de 1971. O aluno ouve a citação antes de ler qualquer coisa.

Ensina que citar é escolher. Um álbum inteiro de 2003 é construído sobre samba sampleado e argumenta, pelos créditos, que o antepassado do rap brasileiro é o samba. Do outro lado, uma gravação paulista de 2002 escolhe o soul brasileiro como ancestral. São duas teses de linhagem, e nenhuma das duas está escrita em palavra nenhuma.

E dá uma fonte que a coleção já tratou por outro lado: os créditos de sample são documento de autoria. Quem assina, quem recebe, quem foi esquecido — a mesma pergunta do primeiro samba gravado no país, cem anos depois e com contrato.

A ressalva é obrigatória e é ela que impede a aula de virar nativismo: a mesma faixa paulista também sampleia um rapper norte-americano e um disco de metais britânico. A linhagem escolhida não é só brasileira.

Conteúdos envolvidos

  • Sample: o que é, como se faz, o que a lei exige e o que os créditos declaram.
  • Direito autoral e remuneração de quem é sampleado.
  • As camadas históricas que cada matriz carrega: samba, bossa, soul brasileiro, soul norte-americano.
  • Citação e linhagem: escolher um antepassado é um gesto de interpretação histórica.
  • Memória e apagamento: o que entra no crédito e o que fica de fora.
  • Rio e São Paulo: duas genealogias do rap brasileiro.

Desenvolvimento

1
O que soa mais velho · 10 min Escuta

Escuta dos quatro raps, sem informação. Uma tarefa só: apontar, em cada um, o trecho que parece não ter sido tocado agora.

2
As quatro gravações originais · 10 min Escuta

Ouvidas na íntegra. A turma tenta casar cada uma com o rap de onde a ouviu.

3
Os créditos confirmam · 15 min Pesquisa

Conferência no acervo de samples, com o áudio dos dois lados sincronizado. O que denunciou cada sample: o chiado, o instrumento, o jeito de cantar.

4
Quatro fichas históricas · 10 min Leitura

De que época é cada original, e o que estava acontecendo no Brasil naquele ano.

5
A pergunta de linhagem · 20 min Debate

Três das quatro vêm do mesmo álbum, que sampleia samba do começo ao fim; a quarta escolhe o soul brasileiro. Por que cada artista escolheu justamente esse antepassado?

6
A ressalva antropofágica · 10 min Escuta

A faixa paulista também sampleia um rapper norte-americano e um disco de metais britânico. Escolher passado não é escolher só passado nacional.

7
A pergunta de direito · 20 min Debate

Quem recebe pelo sample, quanto, e o que acontece quando o original é de um compositor que morreu sem herdeiros ou nunca registrou nada.

8
A árvore genealógica sonora · 25 min Produção artística

Montagem em grupo, com as fichas e os créditos.

Materiais

À Procura da Batida Perfeita
Marcelo D2 · À Procura da Batida Perfeita · 2003 · Produção de DJ Nuts; sampleia Bonfá Nova, de Luiz Bonfá

O violão da bossa dentro de um rap: a citação mais inesperada das quatro.

Ouvir
A Maldição do Samba
Marcelo D2 · À Procura da Batida Perfeita · 2003 · Sampleia Argumento, de Paulinho da Viola, e Zamba Ben, de Marku Ribas

O samba dos anos 1970 assumido como antepassado direto, no título e na base.

Ouvir
Re: Batucada
Marcelo D2 · À Procura da Batida Perfeita · 2003 · Sampleia Do Jeito Que o Rei Mandou, de Zé Katimba e João Nogueira

A escola de samba dentro do rap, fechando a tese do álbum.

Ouvir
Vida Loka (Parte II)
Racionais MC's · 2002 · Sampleia Não Fique Triste, de Cassiano, 1971, além de um rapper norte-americano e um disco de metais britânico

São Paulo escolhendo o soul brasileiro como ancestral — e não só ele.

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Bonfá Nova
Luiz Bonfá · Sampleada em À Procura da Batida Perfeita

O violão da bossa que Marcelo D2 pôs debaixo do rap.

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Argumento
Paulinho da Viola · Sampleada em A Maldição do Samba

O samba dos anos 1970 que o álbum reivindica como antepassado.

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Do Jeito Que o Rei Mandou
João Nogueira · Composição de Zé Katimba e João Nogueira, sampleada em Re: Batucada

A escola de samba entrando no rap pela bateria.

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Não Fique Triste
Cassiano · 1971 · Sampleada em Vida Loka (Parte II)

O soul brasileiro escolhido como ancestral pelo lado paulista.

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Bibliografia

  • BRUZADELLI, Victor Creti; SOUSA, Rainer Gonçalves. História da Música Popular Brasileira para Vestibulares e ENEM. 2. ed. Goiânia: Kelps, 2026.

Avaliação e produção dos alunos

Uma árvore genealógica sonora, em grupo: um rap no topo, as gravações que ele traz dentro de si nos galhos, e para cada galho uma ficha com data, contexto histórico e o crédito de quem deveria receber por ela. No pé da árvore, um parágrafo dizendo que passado aquele artista escolheu como seu.

Critérios

  • Uso da canção como fonte, e não como ilustração: a afirmação histórica se apoia no que se ouve.
  • Correção e datação do contexto histórico mobilizado.
  • Domínio do ponto de vista escolhido e coerência da voz do texto do início ao fim.
  • Organização das fontes reunidas e clareza sobre o que cada uma comprova.